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Polícia Federal cumpre prisões para apurar manipulação e comercialização de dados de ministros do Supremo

Uma das suspeitas é que os dados do ministro Alexandre de Moraes teriam sido adulterados e comercializados por meio desse esquema. (Foto: Luiz Silveira/STF)

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (5), a Operação Dataleaks para desarticular uma organização criminosa suspeita de obter, adulterar e comercializar dados pessoais e sensíveis extraídos de bases governamentais e privadas. Entre as informações acessadas ilegalmente estariam dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a corporação, a investigação teve início após a identificação de uma base de dados paralela, considerada não oficial, que vinha sendo “abastecida por meio de acessos indevidos a sistemas e a bases governamentais”. O material reuniria informações pessoais de autoridades, incluindo integrantes da Suprema Corte.

Ao todo, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo, Tocantins e Alagoas. As ordens judiciais foram autorizadas no âmbito do inquérito que apura a atuação do grupo.

Segundo a PF, os investigados poderão responder por organização criminosa, invasão de dispositivo informático, furto qualificado mediante fraude, corrupção de dados e lavagem de dinheiro. A apuração busca identificar como os acessos indevidos ocorreram, se houve participação de agentes públicos e qual a extensão do compartilhamento ou da venda das informações obtidas ilegalmente.

No mês passado, a Polícia Federal já havia realizado outra operação para investigar o suposto vazamento de dados fiscais de ministros do STF e de seus familiares a partir de sistemas da Receita Federal. Na ocasião, quatro servidores foram alvo de medidas judiciais.

A nova investigação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, que em janeiro autorizou a abertura de procedimento para apurar eventual vazamento de dados sigilosos de integrantes da Corte e de seus familiares, tanto na Receita Federal quanto no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A abertura do inquérito ocorreu em meio à repercussão de reportagens que mencionam contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci. Segundo publicação divulgada em dezembro, o contrato teria valor estimado em R$ 131,3 milhões ao longo de três anos.

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento e que o material apreendido será analisado para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o alcance do suposto esquema de comercialização de dados.

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