Deflagrada na sexta-feira, a Operação Bullish, da PF (Polícia Federal), teve como um dos objetivos buscar provas que corroborem conexões entre o ex-ministro Antonio Palocci, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do grupo frigorífico JBS/Friboi. Os investigadores suspeitam que o ex-ministro, por meio de sua empresa de consultoria, tenha sido um dos mentores e também o organizador da transformação da JBS na maior empresa de carnes do mundo.
Nas perguntas feitas a alguns dos integrantes do BNDES levados a depor, a PF se concentrou na participação de Palocci no banco e na JBS. A investida da PF levou o ex-ministro da Fazenda a contratar, no mesmo dia, o advogado Adriano Bretas, especialista em delações, a fim de tentar fechar um acordo com o Ministério Público.
Com isso, teria começado uma espécie de “corrida” com o empresário Joesley Batista, sócio da JBS e que está em contato com um advogado especialista no assunto (ele assessorou Marcelo Odebrecht em sua delação premiada). A assessoria do frigorífico, no entanto, nega qualquer mobilização nesse sentido.
A imagem da empresa tem sido arranhada por sucessivas investigações. Em menos de um ano, a Bullish foi a quarta operação da PF envolvendo o grupo J&F, holding controladora da JBS. No pregão da sexta-feira, as ações da JBS fecharam em queda de 2,92%.
Essa movimentação do empresário causa receio. Qualquer negociação só será possível se começar pelo detalhamento da relação entre Joesley, as suas empresas e o operador financeiro Lúcio Funaro, elo com o ex-deputado Eduardo Cunha, preso pela Operação Lava-Jato. O peemedebista teria sido uma espécie de substituto de Palocci para o grupo manter a facilidade na obtenção de empréstimos de bancos públicos.
