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A Polícia Federal descobriu fraudes de empresas de serviços de limpeza em um desdobramento da Operação Lava-Jato

Agentes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão. (Foto: Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) e a Receita Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em um desdobramento da Operação Lava-Jato, na manhã desta quinta-feira (01), em São Paulo e Minas Gerais. A ação, batizada de Operação Descarte, tem como objetivo desarticular um esquema criminoso que envolve grandes empresas de serviços de limpeza.

Foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em residências e empresas nas cidades de São Paulo (nove), Santos/SP (um), Paulínia/SP (um), Belo Horizonte/MG (dois) e Lamin/MG (dois).

Segundo a Polícia Federal, “as empresas participantes do esquema simulavam a venda de mercadorias ao cliente do ‘serviço’ de lavagem, que então pagava por produtos inexistentes via transferências bancárias ou boletos (para dar aparência de legalidade à aquisição). As quantias recebidas eram transferidas para diversas outras empresas de fachada, que remetiam os valores para o exterior ou faziam transferências para pessoas ligadas ao cliente inicial”.

As investigações mostraram que a empresa “concessionária de serviços públicos de limpeza no município de São Paulo, a maior cliente identificada, usou serviços da rede profissionalizada de lavagem de dinheiro, tendo simulado a aquisição de detergentes, sacos de lixo, uniformes etc., entre os anos de 2012 e 2017”.

Assim, foram repassados mais de R$120 milhões para terceiros ainda não identificados. Uma das células do esquema criminoso remeteu ilegalmente parte dos valores para o exterior, em favor de um funcionário público argentino e em conluio com operadores financeiros que vieram a ser presos posteriormente no âmbito da Operação Lava-Jato.

Além disso, o grupo adquiriu vários veículos de luxo, como Ferrari, Maserati e BMW, todos registrados em nome de laranjas.  A investigação foi feita a partir de delação do doleiro Alberto Youssef. Os mandados de busca foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal.

De acordo com a Receita Federal, foram emitidos mais de R$ 900 milhões em notas fiscais com indícios de fraude. O prejuízo aos cofres públicos pelo não recolhimento dos tributos devidos pode chegar a centenas de milhões de reais. 

Prioridade

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou na quarta-feira (28) que a prioridade da Polícia Federal continuará sendo o combate à corrupção e a Operação Lava-Jato. Em entrevista para apresentar seu plano no novo cargo, Jungmann disse que pretende destinar mais 20 delegados à área de combate à corrupção.

“A Lava-Jato terá todo nosso apoio. E, no âmbito da Polícia Federal, a operação continuará sendo prioridade. E é importante que assim seja pela importância dela em termos de resultado”, afirmou o ministro. “A orientação dada ao novo diretor-geral da PF é combater o crime e a corrupção”, disse ele em relação a Rogério Galloro, anunciado na terça-feira (27) como substituto de Fernando Segovia no comando da corporação.

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