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Polícia Federal indicia o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração por corrupção e outros crimes

Mauro Henrique Moreira Sousa é acusado de advocacia administrativa.(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A Polícia Federal indiciou o diretor-geral da Agência Nacional da Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, em um inquérito que apurou um esquema de mineração ilegal em Minas Gerais. O indiciamento aponta a prática de advocacia administrativa, por favorecimento de empresários dentro do órgão público. A agência diz, em nota, não ter sido comunicada sobre a conclusão da investigação e que acompanha os desdobramentos do caso.

Os investigadores concluíram duas investigações sobre suspeitas de irregularidade envolvendo a mineração ilegal em Minas, das operações Rejeito e Parcours. Além de Sousa, outro diretor da agência, Caio Trivellato Seabra Filho, foi indiciado, por corrupção. Sua defesa nega as acusações e alega que “as próprias investigações demonstraram que não recebeu valor algum de quem quer que seja”. “Com tranquilidade, espera-se que essa perseguição política acabe em breve”, diz.

Em uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados, em outubro do ano passado, Sousa falou sobre as investigações envolvendo a agência e garantiu que já vinha já vinha alertando para condutas suspeitas envolvendo processos decisórios.

“Eu próprio encaminhei, tanto à CGU [Controladoria-Geral da União] quanto à Polícia Federal, várias situações detectadas no âmbito da agência e fui extremamente hostilizado em várias oportunidades, fui vencido em várias deliberações da agência”, disse Sousa na ocasião.

Em setembro do ano passado, Trivellato chegou a ser preso durante uma das fases da Operação Rejeitos. Na época, a PF destacou que o grupo corrompeu servidores públicos em diversos órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental e controle na área de mineração, com a finalidade de obter autorizações e licenças fraudulentas.

Com esses documentos, segundo afirma a PF, o grupo explorava ilegalmente minério de ferro em larga escala, inclusive em áreas tombadas e próximas a unidades de preservação, gerando danos ambientais e riscos de desastres socioambientais.

Ainda de acordo com a investigação, a suposta organização criminosa chegou a Trivellato, que passou a manter contato com um empresário que, de acordo com a PF, seria um dos líderes do esquema. Os empresários que atuavam com o diretor ditavam como ele agiria. Segundo a PF, Trivellato pediu vista de um processo analisado pela diretoria da ANM para assegurar os interesses do grupo.

Em novembro do ano passado, um dos empresários pediu ao diretor a alteração de um voto, para beneficiar uma das empresas. Conforme investigação, a propina era paga a Trivellato por meio de um escritório de advocacia.

Indiciamentos

No total, a PF indiciou 34 pessoas no relatório final da Operação Rejeito e outras 17 pessoas no relatório da Operação Parcours. Os dois casos são conduzidos pela Superintendência da PF em Minas Gerais e apuram corrupção e outros crimes do setor da mineração.

Foram indiciados empresários do setor da mineração e agentes públicos de órgãos federais e estaduais. A PF diz que duas organizações criminosas foram montadas para cometer crimes na mineração, comandadas por empresários e constituídas também por agentes públicos cooptados. (Com informações de O Globo e O Estado de S. Paulo)

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