O delegado Cleyber Lopes, da PF (Polícia Federal), pediu nesta terça-feira (20) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito em que o presidente Michel Temer é investigado. Caberá ao ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, analisar o pedido. O inquérito foi aberto em maio do ano passado com base nas delações de Joesley Batista, dono do grupo J&F, e de Ricardo Saud, ex-executivo do grupo.
As investigações apuram o suposto pagamento de propina na edição, por Temer, de um decreto relacionado ao setor de portos. De acordo com as investigações, a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP), teria sido beneficiada. Temer e a empresa negam a acusação.
Recentemente, peritos da Polícia Federal sugeriram a Cleyber Lopes que peça a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados, inclusive de Temer. Na semana passada, Joesley Batista e Ricardo Saud prestaram depoimento à PF para dar mais detalhes sobre o caso envolvendo o decreto dos portos.
Joesley, por exemplo, disse que no encontro que teve com Temer em março do ano passado em Brasília fez um gesto de “dinheiro” com os dedos ao perguntar ao presidente se podia tratar de “todos os assuntos” com Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer – Loures ficou conhecido por ter sido flagrado recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS.
As suspeitas contra Temer
Temer foi alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República em 2017. Foi acusado por recebimento de propina da JBS e por organização criminosa, mas as duas foram barradas na Câmara dos Deputados.
Entre uma votação e outra, Barroso autorizou uma terceira investigação contra Temer, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro na edição de um decreto no setor de portos, que está em andamento.
Caso Segovia
No dia 9, o diretor-geral da PF, Fernando Segovia, afirmou em entrevista à Reuters que, no inquérito, não foi encontrado indício de crime cometido por Temer na edição do decreto. Segundo a agência, Segovia também indicou que a PF iria pedir o arquivamento das investigações.
A entrevista causou intensa repercussão, a ponto de delegados da Operação Lava-Jato divulgarem mensagem contra as declarações de Segovia. Além disso, o ministro Luís Roberto Barroso intimou o diretor-geral da PF a dar explicações. Os dois se encontraram nesta segunda (19) e, segundo despacho de Barroso, Segovia disse ter sido mal interpretado.
Bastidores do caso
O delegado que investiga Temer, Cleyber Malta Lopes, é desafeto do diretor-geral da PF, segundo a âncora do Jornal da Globo, Renata Lo Prete. Quando Segovia era superintendente da PF no Maranhão, Cleyber presidiu um inquérito envolvendo a família Sarney.
Cleyber também atuou na investigação conhecida como “Quadrilhão do PMDB”, que encontrou indícios de formação de uma organização criminosa envolvendo Temer e políticos do PMDB (Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Eliseu Padilha) na Caixa.
Desde que Segovia assumiu a PF, Temer discute com auxiliares, ministros e seu advogado como tirar Cleyber do inquérito que o investiga, segundo a colunista Andréia Sadi.
O presidente se irritou com as novas intimações do ex-coronel da PM João Baptista Lima e do ex-executivo da JBS Ricardo Saud e a intimação do empresário Joesley Batista no inquérito. Mas o que mais irritou o Planalto, segundo a colunista, foi o pedido para que uma investigação antiga – e arquivada – contra Temer fosse incluída no inquérito.
