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Polícia Federal prende suspeito de atuar como hacker em esquema de desvio de 50 milhões de reais no Auxílio Emergencial

Cartões e outros objetos apreendidos pela PF em Operação Apateones. (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal de Campinas (SP) divulgou que um homem apontado como hacker do esquema que fraudou R$ 50 milhões do Auxílio Emergencial foi preso na tarde desta quarta-feira (17) em Goiânia (GO). A prisão tem relação com a Operação Apateones, deflagrada em março em 12 Estados e no Distrito Federal.

Segundo a PF, pouco antes de ser preso, o investigado quebrou o celular “com o claro intuito de esconder elementos de prova”.

“O investigado já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão na operação, quando foi constatado que ao notar a presença dos policiais jogou seu computador e celular pela janela do apartamento onde residia”, diz a nota. Ainda de acordo com a corporação, o preso foi encaminhado ao presídio em Goiânia.

Operação Apateones

Em 7 de março deste ano, a PF de Campinas deflagrou a Operação Apateones, que terminou com quatro pessoas presas e diversos bens e itens apreendidos.

Segundo a investigação, os crimes eram realizados por meio de um esquema de identificação de CPFs que usava um programa desenvolvido por um hacker, além da criação de sites ou aplicativos falsos para enganar os beneficiários e pagamento de boletos para uso do dinheiro. Os investigadores estimam que 10 mil contas foram fraudadas, mas este número e prejuízo podem ser maiores.

Como era o esquema?

O chefe da Polícia Federal em Campinas, Edson Geraldo de Souza, e o delegado Diego Campos de Almeida, explicaram a forma de atuação da quadrilha.

Um dos suspeitos presos em março, em Goiânia (GO), era um hacker – que já tinha passagem criminal desde os 16 anos – e foi responsável pela criação de um programa que faz buscas em vários sistemas bancários para identificar quem teria direito de receber o Auxílio Emergencial pela Caixa.

A partir disso, informou a PF, os criminosos criaram contas com documentos falsos para receber o dinheiro antes do beneficiário. Quando a vítima entrava no sistema da Caixa, recebia uma notificação de que o valor já havia sido sacado. Segundo a investigação, as pessoas que reportaram o problema à instituição bancária receberam o ressarcimento posteriormente.

De acordo com o delegado, este era o principal método do grupo, mas não o único. Os investigados também criavam aplicativos ou sites falsos e mandavam SMS para os beneficiários, com link de acesso, para que eles fizessem os cadastros do recebimento do Auxílio Emergencial e, quando recebessem o valor, já iria direto para as contas dos criminosos.

“Tendo descoberto o modos de atuação dos investigados, apuramos que a organização agia em vários estados diferentes. Com um dos investigados, encontramos 140 CNHs falsas. Em outro, mais de 80 cartões, várias máquinas de pagamentos também foram apreendidos”, explicou Almeida.

O suspeito preso em Goiânia era um dos principais articuladores da organização criminosa, segundo a PF. Ele era auxiliado nos crimes cibernéticos pelo suspeito localizado e preso em Brasília.

Pagamento de boletos

Depois que recebia o dinheiro, o grupo utilizava o valor e fazia pagamentos de boletos falsos para movimentar o dinheiro e transferir o montante para outros envolvidos.

“Quando nós colocamos isso em um conjunto de dados, nós começamos a identificar quais são os boletos, quais são as contas e quais são os destinatários. Quem tinha direito ao benefício, viu que ele tinha sido sacado e não contestou, isso não entrou no banco de dados”, frisou Souza.

Os mandados foram expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas e houve autorização para bloqueios de bens e valores encontrados em nome dos alvos. Ao todo, 37 envolvidos na operação são investigados pelos crimes de furto mediante fraude, estelionato e organização criminosa. As informações são do portal de notícias G1.

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