A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (8) a Operação Leet, em que cumpriu mandados de prisão contra suspeitos de conduzir ataques cibernéticos contra os sistemas do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária nas cidades de Itumbiara (GO), Bragança Paulista (SP), Belém do São Francisco (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Olinda (PE).
Entenda
Em 3 de maio, técnicos do Supremo identificaram atividades suspeitas no portal do tribunal e derrubaram os sistemas da Corte, incluindo o site oficial, que ficou diversos dias fora do ar. Com isso, uma série de serviços, incluindo o acompanhamento de andamentos processuais, ficaram inacessíveis, o que levou a uma suspensão de prazos processuais por 48 horas.
À época, o STF divulgou nota afirmando ter identificado “acessos fora do padrão” a seus sistemas, mas não confirmou tratar-se de um ataque. Uma investigação sigilosa foi então conduzida pela PF, que agora disse, em nota, ter identificado a prática de crimes cibernéticos.
“No curso do inquérito policial foram identificados os endereços de onde partiram os ataques, bem como as pessoas que, de forma sistemática e organizada, praticaram os crimes ora apurados”, diz texto divulgado pela PF. O órgão acrescentou que, com as provas eventualmente colhidas nesta terça, “busca-se identificar demais partícipes e circunstâncias dos atos criminosos”.
Os envolvidos podem vir a responder por crime de invasão de dispositivo informático, previsto no Artigo 154-A do Código Penal, cuja pena vai de um a quatro anos de reclusão, além de multa.
O termo Leet, que dá nome à operação, se refere a uma forma de comunicação pela internet que utiliza símbolos para substituir letras e que, com o uso, tonou-se uma espécie de dialeto online. Esse tipo de linguagem costuma ser utilizada por diferentes grupos, incluindo hackers. Uma das teorias é de que essa linguagem tenha surgido para driblar filtros de texto em fóruns online.
Caixa-dois
A PF propôs ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a abertura de um novo inquérito específico para aprofundar as investigações sobre suspeitas de uso de recursos oriundos de caixa-dois para bancar manifestações contra o próprio Supremo e o Congresso Nacional.
No relatório parcial sobre o inquérito dos chamados atos antidemocráticos, ao qual a CNN teve acesso, a PF afirma que “foram identificados diversos eventos ainda sem elucidação, os quais ainda não foram claramente delineados e necessitam de aprofundamento”.
Entre eles, as autoridades policiais apontam a existência de um diálogo entre o empresário Luís Felipe Belmonte, então vice-presidente do Aliança pelo Brasil – partido que estava sendo criado para abrigar o presidente Jair Bolsonaro -, e sua esposa, a deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF), sobre a criação de uma empresa de eventos “montada com o intuito de justificar o dinheiro (R$ 2 milhões) de caixa-dois”.
