A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta sexta-feira (26), a Operação “O Recebedor”, que investiga desdobramentos de fatos apurados na Operação Lava-Jato, com base nos elementos colhidos em acordo de leniência e delação premiada de um dos investigados. Ele forneceu provas documentais e testemunhais contra outras empresas e pessoas que também teriam participado do esquema criminoso.
Ao todo são sete mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a ir à delegacia prestar depoimento) e 44 mandados de busca, que estão sendo cumpridos simultaneamente nos estados do Paraná, Maranhão, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
As buscas visam a recolher provas do pagamento de propina para a construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, bem como da prática de cartel e lavagem do dinheiro ilícito obtido por meio do superfaturamento de obras públicas.
Somente no estado de Goiás, foi detectado um desvio da ordem de mais de 630 milhões de reais, considerando-se somente os trechos executados na construção da Ferrovia Norte-Sul.
Ainda, de acordo com as investigações, as empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas sediadas no estado de Goiás, que eram utilizados como fachada para maquiar uma origem lícita para o dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas. Todos os investigados responderão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A operação desta sexta é o segundo desmembramento da Lava-Jato. O primeiro foi a Operação Cratons, realizada em dezembro de 2015. Na ocasião, a PF investigou crimes ambientais e comércio ilegal de diamantes extraídos de terras indígenas da etnia dos cinta-larga, em Rondônia.
