A PF (Polícia Federal) irá intimar o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, um dos filhos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para prestar depoimento no inquérito sobre compra de medidas provisórias favoráveis a montadoras, entre elas a Mitsubishi Motors e a Caoa, que representa a Hyundai no Brasil. Luís Cláudio será chamado para se explicar sobre um pagamento de 1,5 milhão de reais que uma de suas empresas, a LFT Marketing Esportivo, recebeu da Marcondes e Mautoni em 2014.
Na segunda-feira pela manhã, policiais federais fizeram busca e apreensão de documentos na LFT Marketing, em São Paulo. Os policiais receberam ordens também de apreender documentos da Touchdown Promoção de Eventos Esportivos e Silva Cassaro Corretora de Seguros, que também pertencem ao filho do ex-presidente.
A polícia ainda não definiu a data do depoimento. Isto deve acontecer após a análise do material apreendido na mais recente etapa da Operação Zelotes, que investiga fraudes no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), do Ministério da Fazenda, e agora também a suposta compra de medidas provisórias relacionadas a renúncia fiscal para montadoras de carro.
O advogado Cristiano Martins, um dos responsáveis pela defesa de Luís Claudio, afirmou que a LFT fez contrato de prestação de serviços em marketing esportivo com a Marcondes e Mautoni entre 2014 e 2015.
Juiz Sérgio Moro elogia juíza que ordenou busca em empresa de filho de Lula
Ao comentar a deflagração da quarta fase da Operação Zelotes, o juiz Sergio Moro elogiou na terça-feira a magistrada Célia Regina Bernardes, que ordenou prisões e buscas de suspeitos de se beneficiar de um esquema de corrupção envolvendo o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Um dos alvos da operação foi a sede das empresas de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. “Acredito que o caso está nas mãos de uma colega juíza muito competente. Vamos aguardar o desenvolvimento dos trabalhos”, ressaltou Moro, em São Paulo.
O juiz que julga os processos da Operação Lava-Jato proferiu conferência durante a Brazil Summit, evento promovido pela revista britânica The Economist. Moro foi uma das estrelas do evento e foi ovacionado, sendo aplaudido de pé pelo público, majoritariamente composto de empresários e investidores. Em anos anteriores, o evento da publicação do Reino Unido teve como conferencistas Graça Foster, que caiu da presidência da Petrobras em fevereiro deste ano no meio do escândalo da petrolífera, e os executivos Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo – ambos presos por suspeita de envolvimento no escândalo da estatal.
Moro refutou a crítica de que as prisões vêm sendo decretadas para obter confissões e disse que suas decisões de restrição de liberdade de suspeitos vêm sendo confirmadas pelas instâncias superiores do Judiciário.
Juíza determinou apreensão até de utensílios domésticos de Lulinha
Ao autorizar busca e apreensão na empresa Touchdown, de Luís Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, a juíza Célia Regina Bernardes, da 10 Vara Federal do Distrito Federal, determinou que fossem apreendidos de correspondências a “utensílios domésticos de grande valor”. A magistrada listou ainda joias, obras de arte, dinheiro em espécie, cheques, smartphones e computadores.
A defesa de Luís Claudio já havia pedido vista dos autos, para entender o que motivou o mandado de busca e apreensão na empresa, mas não conseguiu acesso ao material usado para justificar a medida. Um dos responsáveis pela defesa de Luís Cládio, o advogado Cristiano Zanin Martins, disse que as empresas de Luís Claudio, LFT Marketing Esportivo e Touchdown, “não têm qualquer relação, direta ou indireta, com os fatos investigados no âmbito da chamada Operação Zelotes”. A operação investiga fraudes no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão do Ministério da Fazenda.
