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Polícia Federal vê indícios de falsidade ideológica em venda da vacina Covaxin ao governo federal

Ato teria sido cometido por funcionários da Precisa, que atuaram nas negociações junto ao Ministério da Saúde. (Foto: Reprodução)

Em um dos primeiros inquéritos abertos a partir de fatos apurados pela CPI da Covid no Senado, a Polícia Federal (PF) identificou indícios de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e associação criminosa por parte de funcionários da Precisa Medicamentos que participaram das negociações com o Ministério da Saúde para a venda da vacina indiana Covaxin, a mais cara negociada pelo governo brasileiro durante a pandemia.

A transação foi cancelada em agosto, após o contrato ter sido assinado, por determinação da Controladoria-Geral da União (CGU), que também encontrou indicativos de irregularidades.

Além disso, a PF detectou indícios de lavagem de dinheiro por parte dos responsáveis pelo FIB Bank, uma empresa que deu a garantia financeira para a assinatura do contrato, embora não tivesse autorização do Banco Central para conceder esse tipo de chancela.

Foi com base nesses elementos que a PF cumpriu busca e apreensão na semana passada em endereços de Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa, e de outros personagens envolvidos no negócio.

Na decisão que autorizou a operação, a juíza da 12ª Vara Federal do Distrito Federal, Pollyanna Kelly, resumiu os argumentos apresentados pela PF. “O contrato firmado entre a empresa e o Ministério da Saúde é eivado de vício, atribuído, possivelmente, à malícia dos representantes da Precisa Medicamentos”, diz na decisão.

Aprovação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou nesta quarta-feira (3) o uso emergencial da Covaxin, vacina indiana contra a covid-19, produzida pela Bharat Biotech. O imunizante não é usado no Brasil.

Segundo a OMS, a Covaxin é recomendada para os maiores de 18 anos, com um intervalo entre doses de quatro semanas. Ela não é recomendada para grávidas.

“O Grupo Técnico Consultivo, convocado pela OMS e composto por especialistas em regulamentação de todo o mundo, determinou que a vacina Covaxin atende aos padrões da OMS para proteção contra a covid-19. O benefício da vacina supera os riscos e ela pode ser usada”, disse a entidade.

No comunicado, a OMS informou que a Covaxin tem eficácia de 78% contra a covid-19, em todos os estágios (de leve a grave), 14 dias ou mais após a segunda dose. Também disse que a vacina é facilmente armazenada, requisito importante para países de baixa e média renda.

A Covaxin é baseada em vírus inativado. Essa técnica utiliza vírus que foram expostos em laboratório a calor e a produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Ela é administrada em duas doses.

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