Um turista que passeava pelo Mercado de Pulgas, em Nova Trento (SC), flagrou a venda de artefatos nazistas em uma loja no local. O caso ocorreu no último sábado e foi denunciado à Polícia Civil e ao MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina). Entre os objetos encontrados na loja estão um busto de Adolf Hitler e uma placa com o símbolo nazista, acompanhada da frase: “Eintritt Verboten”, que significa “Entrada Proibida”, em tradução livre.
Assim que viu as “peças de decoração”, o cliente ficou incomodado e questionou o vendedor. Em entrevista ao NSC, ele contou ter ido ao banheiro, passado uma água no rosto, tirado fotos e se retirado do local. “O trabalhador da loja afirmou que está há um mês no local e sugeriu ao proprietário que retirasse os objetos, mas que o mesmo afirmou que ‘a loja é dele e ele vende o que quiser’”, disse o turista.
A Polícia Civil informou, em nota, que “foram feitas diligências preliminares e não foram encontrados os objetos em questão”. No entanto, um inquérito policial foi instaurado e “serão feitas novas diligências para investigar os fatos”. O MP-SC informou que “a 2ª Promotoria de Justiça de São João Batista está aguardando a conclusão do inquérito policial para avaliar as medidas cabíveis”.
De acordo com o portal de notícias G1, a prefeitura de Nova Trento informou que a loja de antiguidades fica em um estabelecimento particular e que vai aguardar as investigações da polícia antes de avaliar se tomará alguma medida em relação ao estabelecimento.
Outro caso semelhante é investigado pelo MP-SC, que no início de junho instaurou procedimento para apurar a possível venda de objetos com apologia ao nazismo por uma loja em Timbó, no Vale do Itajaí. O caso segue sendo apurado pela promotoria e também pela Polícia Civil.
Segundo informações do jornal O Globo, o número de inquéritos abertos pela Polícia Federal para investigar casos de apologia ao nazismo disparou em 2020, na comparação com a série histórica da última década.
O número de inquéritos, nesse período, passou de 20, em 2018, para 69 em 2019, e chegou a 110 no ano passado, o que representa um crescimento de 59% e uma média de um inquérito aberto a cada três dias.
A legislação brasileira estabelece que é crime “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. O artigo aborda discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. As informações são do jornal O Globo e do portal de notícias G1.
