Ícone do site Jornal O Sul

A polícia rastreia sinais de celulares para tentar achar os assassinos da vereadora Marielle Franco

Trio de advogadas já recebeu 17 mil denúncias de ofensas contra Marielle por e-mail. (Foto: Reprodução)

Os investigadores usam a tecnologia pra rastrear os assassinos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, assassinados a tiros na última semana. A Polícia Civil está com os dados das cinco empresas de telefonia que operam na região do crime.

As informações coletadas são das 26 antenas de celulares do trajeto feito pelo carro da vereadora. Os agentes analisam os sinais dos telefones celulares usados no percurso.

Imagens de uma câmera de segurança mostram que os assassinos chegaram antes de Marielle na Rua dos Inválidos.

O carro dirigido por Anderson Gomes chega dois minutos depois. Marielle e mais duas pessoas descem e entram na Casa das Pretas, local do evento. Anderson volta de ré e passa rente ao carro onde estariam os assassinos.

As imagens revelam que pelo menos duas pessoas estavam dentro do carro dos criminosos. O veículo dirigido por Anderson Gomes chega dois minutos depois. Marielle e mais duas pessoas descem e entram na Casa das Pretas.

Uma vaga aparece e o carro prata estaciona. Vinte minutos, abre outra vaga e Anderson para bem na frente deles. O motorista chega a passar a pé ao lado do carro prata.

Marielle sai do evento pouco depois das nove da noite e senta no banco de trás, ao lado da assessora. Anderson parte e o carro prata vai atrás.

Logo depois, um outro carro prata passa – um Logan. O trajeto é registrado pelas câmeras. O carro branco dirigido por Anderson é seguido pelos dois carros prata.

A assessora de Marielle, que estava no carro, contou o que viu: “Foi apenas uma rajada, de um segundo, ‘ta tatata’, afirmou. “Foi um barulho forte, mas rápido”, acrescentou. A polícia investiga se a pistola 9 mm estaria com o chamado kit rajada, que permite disparar 20 balas por segundo.

O promotor designado para acompanhar as investigações, esteve durante duas horas na Divisão de Homicídios na segunda-feira (19).

Na saída, Homero Feitas disse que o foco da investigação agora é descobrir o motivo do crime. Por isso, a partir desta terça vão ser tomados novos depoimentos de parentes, amigos de trabalho da vereadora.

Assessora

A assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque, afirmou ter ouvido uma rajada e não ter se dado conta, inicialmente, de que Marielle havia sido assassinada. Pensava se tratar de um tiroteio na região por onde passava.

“Eu não percebi. Estávamos olhando o celular. Um minuto antes, eu vi a Marielle comentar uma coisa que eu não consigo me lembrar, mas foi algo do tipo: ‘eita’…. Mas um comentário muito tranquilo. Não sei se foi um ‘eita’ ou um ‘vixi'”. (…) Eu me lembro do momento dessa interjeição … exatamente nesse momento eu ouvi uma rajada que vinha daqui do meu lado direito… lateral e por trás.”

“[Depois da rajada], eu imediatamente eu me abaixei na mesma hora. Achei que ela estava abaixando junto comigo. Foi um barulho forte, mas rápido. Tá, tá, tá, tá. [Vi] o vidro quebrando e eu não tinha nem certeza qual era o vidro. Na hora, eu pensei: tô passando por um fogo cruzado. Tô abaixada, eu gritava. E eu perguntava: ‘que isso, gente? O que esta acontecendo?’ Nesse momento, o Anderson fez assim: ‘ai’ Eu não vi o que que era. Eu não vi se veio de um carro, de uma moto, de nada… eu não sei de onde veio isso.”

Sair da versão mobile