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Políticos do Centrão querem bloquear a tramitação da nova reforma da Previdência até mudar a articulação política do Governo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com líderes de algumas siglas que, até o carnaval, a Casa só vai tratar de projetos do Legislativo. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A chegada da reforma da Previdência ao Congresso aumentou o passe de partidos de centro e centro-direita que estão alijados das negociações com o Planalto. Na noite anterior à entrega da proposta, dirigentes dessas legendas acordaram que, até que o governo abra os ouvidos ao Parlamento, não há chance de a reforma avançar. Os mais insatisfeitos advogam que a Câmara só comece a debater o texto depois de Jair Bolsonaro expor o projeto que vai tratar da aposentadoria dos militares.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com líderes de algumas siglas que, até o carnaval, a Casa só vai tratar de projetos do Legislativo. A medida provisória que reestrutura a Esplanada nem sequer será lida, para evitar o trancamento da pauta.

Maia também só pretende definir os comandos das comissões depois do feriado. A montagem do colegiado que vai analisar a nova Previdência está incluída neste pacote.

“Desumano”

Presidente do PSDB, o ex-governador Geraldo Alckmin adotou tom cauteloso ao comentar a reforma da Previdência. Ele diz que a sigla vai se debruçar sobre o texto e debatê-lo com especialistas após o Carnaval, mas antecipou uma crítica. Alckmin considera que é “desumano” fazer com que os idosos miseráveis só possam receber um salário mínimo integral após os 70 anos. Pela proposta do governo, o pagamento, via Benefício de Prestação Continuada, começa com R$ 400.

A reforma de Bolsonaro vai receber uma enxurrada de emendas. Líderes da Câmara já articulam mudar o texto e desobrigar Estados e municípios de adotarem as regras que forem aprovadas em Brasília. A equipe econômica atrelou o funcionalismo estadual para envolver os governadores na articulação do projeto. A ideia é inserir dispositivo que repasse a responsabilidade às assembleias. Deputados dizem que não vão assumir também ônus que seriam dos legislativos locais.

Categorias até aqui afeitas ao governo também reagiram. O líder da bancada da bala, Capitão Augusto (PR-SP), diz que, inicialmente, policiais e bombeiros militares não se sentem contemplados. “Já demos nossa cota de sacrifícios”. Augusto reivindica mudanças no texto da Previdência. Quer que as novas regras só valham para o que ingressarem nas carreiras da segurança pública.

Revólver

“Na proposta de reforma da Previdência, Bolsonaro decidiu apontar o seu revólver para a cabeça dos mais pobres.” A afirmação é do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), sobre o projeto do governo.

Secretaria de Comunicação

A queda de Gustavo Bebianno também aumentou a pressão para que Bolsonaro troque o chefe da Secretaria de Comunicação, Floriano Amorim. Representantes de emissoras alinhadas ao governo fizeram chegar ao gabinete do presidente sua insatisfação com a liberação de verbas publicitárias. Dizem que o Planalto colocou de lado o investimento nas TVs para priorizar veículos da internet.

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