Primeiro foi o escândalo do mensalão. Depois, o da Operação Lava-Jato. Veio então o embate do ajuste fiscal, o Orçamento deficitário, o dólar a mais de 4 reais e a dificuldade do governo federal de tirar o País da crise. Ao somar esses fatores ao calendário eleitoral – que determina que o político precisa estar filiado ao partido pelo qual pretende disputar uma eleição um ano antes do pleito –, o resultado que se verifica na última semana de setembro é um notável êxodo nos quadros do PT.
Na quinta-feira (24), o deputado federal Alessandro Molon (RJ) anunciou que deixava a sigla, rumo à recém-criada Rede Sustentabilidade, de Marina Silva. Devem segui-lo outros três deputados petistas: Assis do Couto (PR), Toninho Wandscheer (PR) e Weliton Prado (MG). Nenhum deles foi localizado para confirmar a informação. Prado já entrou com ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para se desfiliar sem perder o mandato. Também acaba de deixar o PT o empresário Jesus Rodrigues (PI), deputado federal na última legislatura. Ele ingressou no PSOL, pelo qual pretende disputar a prefeitura de Teresina (PI).
No Senado, o cenário não deverá ser diferente. Em abril, Marta Suplicy anunciou que saía do partido. Neste sábado (26), em São Paulo, assinou sua filiação ao PMDB. Paulo Paim (PT-RS) disse que até o fim do ano decide seu destino, afirmando que tem conversado com várias legendas para encontrar aquela que poderá ser a sua nova casa. Entre eles estão a Rede, o PDT, o PSB e o PV.
Respeito à lei eleitoral
A lei eleitoral do País é clara: o político precisa estar filiado ao partido pelo qual pretende disputar um cargo eletivo pelo menos um ano antes do pleito. É por esse motivo que o vaivém se aqueceu nos últimos dias. Segundo o TSE, a eleição de 2016 será no dia 2 de outubro. Logo, os políticos têm até sexta-feira (02) para decidir a sigla pela qual concorrerão.
Em outro ponto, a lei eleitoral define que o político que quiser se desfiliar de um partido só mantém o mandato em dois casos: se migrar para uma sigla que acaba de ser criada ou se alegar que a sua legenda não está cumprindo o conteúdo programático. Isso explica, por exemplo, o interesse de alguns políticos pela Rede, que acaba de obter registro. (AG)
