Quando as casas noturnas de toda a Inglaterra abriram suas portas pela primeira vez em 16 meses e as pessoas se abraçaram nas pistas de dança lotadas até o amanhecer desta segunda-feira (19), a nação que havia imposto um dos bloqueios mais rigorosos e longos do mundo eliminou quase todas as restrições legais às interações sociais.
Mas o “Dia da Liberdade”, celebrado nesta segunda, é um momento repleto de riscos relacionados à covid-19. A partir de agora, o uso da máscara será uma “escolha pessoal” no país e o trabalho remoto não é mais obrigatório. O clima, no entanto, é de cautela.
Vários especialistas em saúde classificaram as novas aberturas como uma imprudência. Outros dizem que a decisão foi, sim, prudente, dado o menor número de hospitalizações e mortes.
A partir da meia-noite, as leis exigindo o uso de máscaras em lojas e outros ambientes internos caducaram, juntamente com o limite de capacidade em bares e restaurantes, e regras que limitam o número de pessoas que podem socializar juntas.
O primeiro-ministro, Boris Johnson, apenas pediu “prudência” e ignorou os apelos de um grupo de cientistas internacionais influentes que alertaram sobre o “risco de minar os esforços para controlar a pandemia não apenas no Reino Unido, mas em outros países”.
O Reino Unido é um dos países mais atingidos pela pandemia na Europa, com 128.700 mortos, e tem o maior número de infecções diárias no continente. O número de mortes é contido (cerca de 40 por dia), mas aumenta, assim como as hospitalizações.
Teste positivo
Apenas horas antes de as regras serem suspensas, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o ministro das Finanças, Rishi Sunak, foram forçados a entrar em autoisolamento após o teste positivo do secretário de saúde do governo.
A dupla, no entanto, havia dito originalmente que participaria de um programa piloto que lhe permitiria evitar a quarentena, mas Johnson mudou o discurso em poucas horas após uma furiosa reação do público.
Os números de casos continuam a aumentar, atingindo níveis vistos durante o pico anterior de contaminação pelo vírus no Reino Unido em janeiro — embora com mais da metade da população totalmente vacinada e uma cobertura particularmente abrangente entre pessoas mais velhas e mais vulneráveis, os números de mortes e hospitalizações foram uma fração dos números das ondas anteriores.
Nesta segunda, quando quase todas as últimas restrições foram retiradas, centenas de milhares de pessoas estavam passando por quarentenas de 10 dias como parte do programa de teste, rastreamento e isolamento do Serviço Nacional de Saúde, muitos deles motivados por um aplicativo oficial que automaticamente “pinta” os usuários que entraram em contato próximo com alguém que testou positivo para o vírus.
Mais de 500 mil pessoas foram “pintadas” na primeira semana de julho — aproximando-se de 1% da população da Inglaterra — e o aumento dos casos, já que é provável que só tenha empurrado o número para cima.
