Instabilidade econômica, aumento das taxas de juros para financiamentos, restrição de crédito, queda do poder de compra dos consumidores e da demanda, esse é o cenário das vendas de veículos no Rio Grande do Sul, segundo o Sincodiv (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos)/Fenabrave-RS.
Entre janeiro e abril de 2019, antes da pandemia, o setor da distribuição de veículos emplacou 60.882 unidades. Em 2023, no acumulado de janeiro a abril, foram comercializados 47.461 unidades. São 13.421 veículos a menos e, em relação a uma década atrás, o número de vendas acumuladas entre janeiro e abril de 2013 era de 96.593 unidades no RS, o que significa 49.132 unidades, queda superior a 50%.
Os resultados de abril 2023 sobre o mês anterior ficaram abaixo das expectativas. Com 5 dias úteis a menos do que março, o mês de abril teve retração de 19,25%. Foram comercializados 12.005 veículos contra 14.867 em março.
O segmento de autos e comerciais leves contabilizou queda de 17,83% no mês de abril. A notícia boa é que, no acumulado do ano, os números deste segmento são positivos em 19,21%. No entanto, esse dado ainda está muito longe dos números de 2019, quando entre janeiro e abril somaram 44.121 carros e comerciais leves vendidos contra 29.495 do mesmo período de 2023. Lembrando que há uma década o número de vendas no período foi de 71.874 unidades.
“Conforme já havíamos anunciado, as expectativas para que no ano de 2023 possamos, pelo menos, empatar com o ano anterior vão se confirmando. Os estoques nas montadoras alcançam um nível muito alto exigindo procedimentos que não favorecem o aumento de produção. Tudo somado ao momento de incerteza política e à falta de confiança no desenvolvimento econômico do país, cuja manutenção das altas taxas de juros, baixa performance na oferta de financiamentos, associadas ao nosso baixo índice de crescimento da economia, acarretam um esfriamento do ânimo dos consumidores. Entretanto, há muitas ofertas e promoções sendo praticadas no mercado capazes de fazer com que a aquisição de um veículo agora possa ser algo muito interessante”, comenta o Paulo Siqueira, presidente Sincodiv/Fenabrave-RS.
Brasil
No Brasil, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), entidade que representa mais de 7,3 mil Concessionárias no País, a queda dos emplacamentos de veículos neste ano sobre 2019 reflete a realidade do mercado atual, afetado, entre outras razões, pelo aumento das taxas de juros para financiamentos, restrição de crédito, queda do poder de compra dos consumidores e, consequentemente, da demanda. “Apesar do aumento percentual de emplacamentos no 1º. quadrimestre de 2023 sobre igual período de 2022, isso não representa motivos de comemoração, no caso de automóveis, pois ainda estamos mais de 32% abaixo de 2019, período que antecedeu a crise provocada pela pandemia”, esclarece o presidente da Fenabrave, Andreta Jr.
Também os resultados de abril 2023 sobre o mês anterior ficaram abaixo das expectativas. Com 5 dias úteis a menos do que março, o mês de abril teve retração de 18,7%.
Já no acumulado de 2023 sobre 2022, ainda que diante de uma base baixa, já que, no ano passado, havia falta acentuada de componentes na indústria, os emplacamentos de veículos tiveram alta de quase 18%. Se comparados os meses de abril 2022 e abril 2023, houve aumento de 9,7%.
