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Por medo de revanche, os partidos freiam a aproximação com o PT em um eventual segundo turno

Fernando Haddad, durante campanha em Minas Gerais, disse que fará um acerto de contas sem revanchismo. (Foto: Reprodução Instagram)

Se quiser o apoio de políticos de centro e de direita em um eventual segundo turno nessas eleições 2018, o candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, precisará escrever uma “Carta ao golpista brasileiro”. Os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff desconfiam dos sinais emitidos pelo PT nesta eleição e temem que um governo da sigla seja “revanchista”.

Conforme indicou o jornal Folha de S.Paulo, as legendas que ficarão pelo caminho no dia 7 de outubro estão em cima do muro. Mas, embora suas bases sejam majoritariamente simpáticas a Jair Bolsonaro, alguns dirigentes rechaçam o discurso radical do candidato do PSL.

Os petistas querem atrair essa ala com apelos à criação de uma “frente democrática”.

O velho establishment político dá um passo atrás. O receio do grupo é que o PT – ferido pela prisão de Lula e pela queda de Dilma – saia em busca de vingança. Os caciques creem que o partido petista poderia concentrar o poder, implementar uma agenda inflexível e dinamitar medidas tomadas nos últimos anos.

Em campanha, Fernando Haddad tem lançado mensagens ambíguas. “Vamos fazer um acerto de contas sem revanchismo, sem ódio. Queremos que o povo brasileiro mande no Brasil. Eles têm que aprender a respeitar o resultado das urnas. O povo vai se lembrar de tudo o que aconteceu”, disse o petista na sexta-feira, durante campanha em Minas Gerais.

Nos bastidores, a disposição é mais apaziguadora. Haddad sabe que precisará de força política para enfrentar a popularidade de Bolsonaro e a aversão ao PT. O candidato do PT já fez acenos de moderação em seu programa de governo e abraçou dirigentes do MDB, mas precisará erguer pontes mais concretas.

Ainda que Haddad pareça um petista suave, o discurso raivoso de dirigentes do partido deixa apreensivos os possíveis aliados. Além disso, o centrão aproveita a hesitação de seus quadros para ampliar a fatura de um apoio no segundo turno. Um eventual acordo só sairia com o aval da cela da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná. Há quase um ano, um Lula visionário abriu caminho para a reconciliação: “Estou perdoando os golpistas que fizeram essa desgraça no país”.

 

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