Nos últimos anos, celebridades brasileiras de grande projeção passaram a fixar residência fora do país em diferentes momentos da vida, levantando um debate que vai além da carreira artística. As mudanças, que envolvem desde cantoras pop até atrizes e modelos consagradas, revelam escolhas associadas à criação dos filhos, à busca por segurança, à estabilidade emocional e à expansão profissional em um cenário cada vez mais globalizado.
A cantora Kely Key, hoje com 41 anos, vive atualmente em Angola ao lado do marido, o empresário angolano Mico Freitas, e dos filhos. A mudança, anunciada em 2023, surpreendeu parte do público, mas, segundo ela, foi resultado de uma decisão familiar amadurecida.
“A gente não veio fugindo de nada. Viemos buscar vivência, cultura e aprendizado para os nossos filhos. Quero que eles conheçam o mundo para além do Brasil”, afirmou ao explicar a escolha de matricular o filho caçula em uma escola local e estabelecer uma rotina fora do país.
Em outro momento de vida, a atriz Luana Piovani, de 48 anos, mudou-se para Portugal em 2019, após o divórcio, com os três filhos ainda pequenos. Diferentemente de Kelly, sua decisão esteve diretamente ligada à maternidade e à rotina cotidiana. “Eu precisava de um lugar onde pudesse criar meus filhos com mais segurança, tranquilidade e liberdade. Portugal me ofereceu isso”, declarou em diferentes entrevistas. Desde então, ela passou a desenvolver projetos profissionais no país e mantém uma postura pública crítica em relação ao modo de vida que levava no Brasil.
A escolha de morar fora também surgiu como uma estratégia para conciliar carreira e família no caso da cantora Claudia Leitte. Aos 44 anos, ela vive em Los Angeles desde 2016, quando decidiu estabelecer uma base fixa para criar os filhos. “A vida de estrada no Brasil é incrível, mas é instável. Aqui eles têm rotina, escola, amigos. Eu precisava dar essa base para eles”, esclareceu ao comentar a decisão de manter residência nos Estados Unidos, mesmo com a carreira ainda fortemente ligada ao mercado brasileiro.
Já a trajetória da modelo Gisele Bündchen, também de 44 anos, representa um movimento mais antigo e diretamente relacionado à carreira internacional. A empresária deixou o Brasil ainda muito jovem, no início da ascensão profissional, e construiu sua vida fora do país ao longo de mais de duas décadas. “Eu saí do Brasil muito nova para trabalhar. Minha vida acabou sendo construída fora”, já afirmou. Com o tempo, os Estados Unidos se tornaram não apenas o centro da carreira, mas também da vida pessoal e familiar da top.
Em uma geração mais recente, a cantora Anitta, de 31 anos, passou a manter residência fixa nos Estados Unidos durante o processo de internacionalização da carreira. Diferentemente das demais, sua mudança foi apresentada de forma direta como estratégica. “Se eu quisesse competir no mercado global, eu precisava estar lá. Não dá para fazer carreira internacional morando só no Brasil”, disse. Mesmo mantendo laços fortes com o país, a “poderosa” destacou que viver fora permitiu acesso mais direto a produtores, gravadoras e oportunidades internacionais.
Embora partam de realidades, idades e contextos distintos, essas histórias apontam para um movimento comum: morar fora do Brasil deixou de ser apenas um desejo associado ao sucesso internacional e passou a representar uma reavaliação profunda de prioridades. Segurança, tempo, rotina familiar e controle da própria vida surgem como fatores tão relevantes quanto visibilidade e carreira. (Com informações de O Globo)
