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Por que os EUA querem a vitória de Flávio Bolsonaro?

De forma resumida, podemos dizer que os Estados Unidos precisam garantir e acelerar a implementação do neoliberalismo na América Latina e no Brasil. Isso significa, dentre outras coisas, cortar gastos públicos e privatizar empresas estatais para frear a industrialização brasileira e manter a economia nacional voltada ao fornecimento de matéria prima para os países industrializados.

Dessa vez, porém, o interesse dos EUA é ainda mais agudo por causa de um novo ciclo mineral global. As Terras Raras são um conjunto de minérios de difícil extração necessários na produção industrial de carros elétricos, equipamentos militares, smartphones, etc.

A China é a maior produtora de Terras Raras e negocia com os EUA nos seus próprios termos. Os EUA pretendem, então, utilizar os minérios brasileiros para superar a dependência da China.

Um governo bolsonarista será de grande vantagem então para que os Estados Unidos possam usar o minério brasileiro como bem entenderem, evitando, por exemplo, tentativas que um governo progressista poderia fazer no sentido de desenvolver uma cadeia produtiva minimamente nacional em torno desses recursos.

Corte de gastos é bom para quem?

É importantíssimo na retórica neoliberal o controle fiscal, não gastar mais do que se arrecada e atrair investimentos internacionais. A verdade é que os países ricos não seguem essa máxima e constroem mercados através do investimento público do seu próprio Estado, fazendo também a proteção dos seus mercados com tarifas e sanções.

Esse é o conteúdo do clássico livro de Economia “Chutando a escada: estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica”, o qual recomendo-lhes a leitura. O livro expõe como os países desenvolvidos usam as narrativas liberais para impedir que os países periféricos ascendam econômica e socialmente.

O exemplo da Argentina: consequências de aprofundar o neoliberalismo

Infelizmente, quando corta-se e congela-se salários mínimos, aposentadorias e auxílios, aprofunda-se a pobreza da sociedade, já que os trabalhadores de menores salários terão menos ainda a possibilidade de acessar alimentos e serviços.

É isso que temos visto na Argentina onde, independente do que dizem certas figuras da Direita, mais e mais pessoas entram na faixa da pobreza a cada levantamento. O salário mínimo na Argentina já está abaixo da sexta básica do país e as pessoas mais pobres tem sido forçadas a recorrer, por exemplo, à carne de jumentos na alimentação e a feiras de troca, já que não há dinheiro para comprar produtos.

É fundamental então que os caminhos do desenvolvimento brasileiro sejam pensados e projetados pelo seu próprio povo para não cairmos vitima de explicações fáceis (e falsas) para os problemas do Brasil. E isso só será possível com Universidades Públicas fortalecidas e gestores nacionalistas de fato (e não só de retórica).

Render-se aos interesses dos Estados Unidos como voto de protesto nessas eleições não é brincadeira. Foi isso que o povo argentino fez, imaginando mudanças, sem perceber que estava apoiando um projeto que aprofundaria os problemas socioeconômicos do seu país.

*Henrique Casanova
Jornalista e Geógrafo
@henriquecasanovapoa

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