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Porto Alegre tem o quarto maior índice de tuberculose dentre todas as capitais brasileiras

Estado teve 5.327 novos diagnósticos em um ano. (Foto: Arquivo/Ministério da Saúde)

Doença infecciosa com maior mortalidade no mundo, a tuberculose tem em Porto Alegre o seu quarto maior coeficiente de incidência dentre todas as capitais brasileiras. Foram 1.373 novos casos somente no ano passado, quando a cidade registrou 81,7 notificações para cada 100 mil habitantes.

Dados preliminares obtidos pela SMS (Secretaria Municipal da Saúde) apontam que, para um universo de 1.489 pacientes monitorados na capital gaúcha, 72% obtiveram a cura e 12% abandonaram o tratamento. Esse dado se refere ao período entre agosto de 2018 e a primeira semana deste mês.

Na lista das cinco capitais com maiores incidências da doença estão Manaus (104,7 casos por 100 mil habitantes), Rio de Janeiro (88,5 casos), Recife (85,5 casos) e Belém (64,9 casos), além de Porto Alegre, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O Rio Grande do Sul é o Estado com maior quantidade de retratamentos (quando ocorre a interrupção e retomada).

O perfil epidemiológico da doença mostra que a tuberculose atinge predominantemente pessoas com baixa escolaridade, em sua maioria homens negros em idade produtiva. Entre os públicos de maior vulnerabilidade estão população em situação de rua, portadores de HIV/Aids, índios, detentos e profissionais da Saúde.

Na tentativa de melhorar esse cenário, técnicos da pasta elaboraram o “Plano Municipal de Enfrentamento da Tuberculose”. A iniciativa tem como principais estratégias o telemonitoramento e a transição de cuidado, explica a assessora técnica Eveline Rodrigues, da Coordenação de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV/Aids, Hepatites Virais e Tuberculose da SMS.

“As ações incluem formas de acesso eletrônico por e-mail, telefone e WhatsApp como referência para médicos e demais profissionais da rede municipal que atendem pacientes com suspeita ou diagnóstico da doença”, detalha. O telemonitoramento prevê contato direto com pacientes em tratamento e com as unidades de saúde. Além disso, há um acompanhamento realizado de forma integrada entre todos os sistemas informatizados do setor.

Saúde mental

Pacientes atendidos nos Caps-AD (Centros de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas) têm acesso a exames para identificar a presença de infecções sexualmente transmissíveis e tuberculose. A ação faz parte das ações do plano municipal, que já capacitou profissionais dos Caps 3 (Restinga-Extremo Sul) e 4 (Céu Aberto) para a realização de exames e atendimento.

Ainda segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o treinamento terá continuidade até atingir a totalidade de profissionais desses serviços. Médicos de ambos os Caps receberam capacitação para o manejo clínico da tuberculose, com apoio do Ministério da Saúde.

Conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde, a incidência da doença entre indivíduos em situação de rua é 56 vezes maior que na população em geral. Assim, a SMS têm oferecido mensalmente, junto com a ONG Prato Feito nas Ruas, exames para diagnóstico das doenças, sendo que os casos de diagnóstico positivo são vinculados ao tratamento.

Outras ações incluem melhora no diagnóstico a partir de iniciativas como: capacitar a rede para o exame de baciloscopia nas unidades de saúde; facilitar o acesso ao tratamento: hoje, o paciente pode retirar o medicamento onde achar mais conveniente e não necessariamente em sua unidade de referência; e capacitar médicos da rede que são referência para a discussão de casos e implantação da vacina BCG nas maternidades.

Uma das principais dificuldades no combate à doença é o abandono do tratamento, com uma taxa de 24% dos casos na capital gaúcha. Normalmente, o processo dura seis meses, mas pode se estender a um ano ou mais, conforme a multirresistência que o bacilo adquire após a interrupção. Alimentação desregrada e exposição a intempéries do clima e ambientes insalubres facilitam o contágio.

Transmissão

Causada por uma bactéria (Bacilo de Koch) que ataca principalmente os pulmões – mas pode ocorrer em outras partes do corpo –, a doença é transmitida pelo ar. Tosse por mais de duas semanas, associada a um ou mais sintomas – transpiração excessiva à noite, cansaço, falta de apetite, emagrecimento e febre – pode configurar a doença. Nesse caso, a orientação é procurar a unidade de saúde para fazer o exame e, em caso positivo, iniciar o tratamento imediatamente.

O principal exame é a baciloscopia, possibilitando a análise direta da secreção excretada pelos pulmões. O tratamento consiste em medicação de uso regular, todos os dias, no mesmo horário, durante seis meses, no mínimo. Em caso de interrupção antes do previsto, a pessoa pode ter recidiva e desenvolver uma tuberculose resistente aos medicamentos do esquema básico. A tuberculose tem cura, desde que o tratamento tenha continuidade até o final.

(Marcello Campos)

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