A nova sede Serviço de Atendimento Especializado (SAE Hepatites) será inaugurada nesta segunda-feira, 27, às 14h30, na rua Garibaldi, 1036, bairro Independência. A casa, junto ao Hospital Materno Infantil Presidente Vargas – HMIPV (e por isso continuará tendo toda a estrutura de apoio do hospital), foi totalmente reformada para abrigar quatro consultórios, duas salas de medicação, administração e outras dependências. A entrega à população será feita pelo prefeito José Fortunati e o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter. “O serviço ficará ainda mais qualificado com esta nova estrutura, e fará toda diferença nos tratamentos e na vida de muita gente”, afirma o médico gastroenterologista e hepatologista e coordenador do serviço, Eduardo Emerim.
Até pouco tempo, somente 40% a 50% dos casos de hepatites C e B alcançavam a cura. Esta doença grave, que leva à cirrose hepática e ao câncer de fígado, muitas vezes pode ocasionar a morte. Mas a partir de agosto começarão a chegar na rede pública de saúde de Porto Alegre novos medicamentos que elevarão o potencial de cura para 90% a 100%. “É uma mudança grandiosa em um cenário historicamente sombrio. Os novos tratamentos trazem uma perspectiva muito maior de cura, com mais segurança e menos efeitos colaterais. E a Capital já está pronta para aplicar esta nova tecnologia, via SUS, no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) de Hepatites Virais”, comemora Emerim.
Prioridade – Porto Alegre é a Capital com maior número de registros da hepatite C, com 34,3 casos para cada 100 mil habitantes. Por isso a cidade é prioritária no combate desta epidemia, pois registra a cada ano em média mil casos de hepatite C e 300 do tipo B. As hepatites do tipo B e C são doenças silenciosas e potencialmente fatais. Na maioria das vezes, apresentam sintomas apenas na fases mais avançadas.
Segundo o Ministério da Saúde, a hepatite C é responsável por 70% das hepatites crônicas e por 40% dos casos de cirrose. Estima-se que no Brasil exista cerca de 2 milhões de pessoas portadoras do vírus do tipo C. A maioria dos pacientes contaminados tornam-se portadores crônicos. Em até 30% os casos progridem para cirrose hepática. E destes, até 5% ao ano evoluem para câncer de fígado. É a principal causa de transplante hepático no mundo. A maioria dos portadores não sabem que tem o vírus. Muitos só descobrem quando doam sangue, fazem exames de rotina ou quando os sintomas começam a se manifestar.
Tratamento – Antes da criação do SAE, em 2012, a fila de espera para tratamento de hepatites no SUS em Porto Alegre era de quatro anos em média. Hoje, basta procurar uma unidade de saúde e fazer o teste. Se der positivo para hepatites, o usuário do SUS é imediatamente encaminhado para o SAE. “Lá o usuário do SUS é atendido por equipes médicas especializadas que contam também com farmacêutico, psicóloga e acompanhamento psiquiátrico. E no HMIPV são realizados os exames de sangue, endoscopia digestiva, ecografia, tomografia e outros. Tudo no mesmo lugar”, lembra Emerim.
Saiba mais sobre as hepatites – A transmissão do vírus da hepatite C ocorre pelo contato com sangue contaminado, seja por transfusão ou por contato com objetos contaminados, e também com uso de drogas injetáveis. A transmissão vertical (da mãe para o bebê) é rara, cerca de 5%, e ocorre no momento do parto. O tipo B pode ser prevenido com vacinação em 3 doses em qualquer idade. A principal forma de contaminação é por meio de relações sexuais sem proteção.
A hepatite tipo A, transmitida pela água e alimentos contaminados, não se torna crônica e cura espontaneamente em 99% dos casos. Para esta doença também existe prevenção por meio de vacina para crianças a partir dos 12 meses de idade, disponível na rede pública.
