O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, vai entrar na onda do corte de gastos, embora as contas municipais estejam equilibradas. Os planos para 2015 serão repensados, permitindo a redução de dispêndios. Em tempos de crise, explica ele, as pessoas gastam menos e, em consequência, a arrecadação de impostos cai. Mas se apressa em esclarecer que as áreas de saúde, educação e assistência social serão preservadas. Não haverá nenhum centavo a menos. Nem a mais.
Fortunati se preocupa especialmente a saúde pública, que hoje ocupa a quinta posição em qualidade de atendimento no Brasil. E talvez não seja melhor, porque a Capital tem sua capacidade testada diariamente pelo fluxo crescente de pacientes de outras localidades. Hoje 64% dos casos médicos são de fora e apenas 36% de Porto Alegre. Pelo contrato com os governos federal e estadual, Porto Alegre deveria atender 60% de moradores locais e 40% de fora, o inverso do que acontece.
Essa forma de ocupação do sistema de saúde castiga os cofres do Paço Municipal. Não suficiente, reclama o prefeito, as esferas federal e estadual têm diminuído a transferência de recursos. A prefeitura faz sua parte – e mais um pouco. Investe 22% do orçamento em saúde, embora a Lei Orgânica determine um percentual de 15%. Se o investimento municipal é importante apoio, tudo indica que continuará a ser por longo tempo. O Brasil e o Rio Grande do Sul andam matando cachorro a grito!
