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Preço mundial do petróleo reverte disparada de mais de 7% após declarações de Trump sobre trégua no Líbano

O petróleo fechou em leve queda após ter disparado mais de 7% nas negociações dessa segunda-feira (1º). (Foto: Reprodução)

O petróleo fechou em leve queda após ter disparado mais de 7% nas negociações dessa segunda-feira (1º). O vaivém reflete a incerteza dos investidores diante de novos ataques entre Estados Unidos e Irã e de promessas para o fim do conflito no Oriente Médio.

Por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato de agosto do barril Brent, referência global da commodity, chegou a subir 7,28%, a US$ 97,75. O movimento repercutia informações da agência iraniana de notícias, que informou que o Irã suspendeu as negociações com os EUA em função de novos ataques israelenses no Líbano.

A disparada perdeu força após novas declarações do presidente americano Donald Trump, que afirmou que Israel e Hezbollah concordaram com uma trégua. O Brent, então, fechou a sessão cotado a US$ 95,41, uma queda de 0,03%. O contrato de julho do WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, caía 0,21% ao fechamento, para US$ 92,28.

Trump disse que conversou por telefone com o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e com líderes do Hezbollah e que ambas as partes concordaram em não se atacar.

“Tive uma ligação muito produtiva com Netanyahu, e não haverá tropas indo a Beirute, e qualquer contingente a caminho já deu meia volta”, afirmou Trump em post na rede Truth Social. “Tive ótima conversa com o Hezbollah, e eles concordaram que as armas vão parar: Israel não vai atacá-los, e eles não vão atacar Israel”, disse o republicano.

Mais cedo, o premiê israelense tinha feito novo anúncio de ataques contra a capital libanesa, mas não disse que enviaria tropas a Beirute.

O anúncio, uma espécie de trégua dentro da trégua, não inclui detalhes sobre prazos ou sobre a negociação em andamento para encerrar o conflito. Em tese, há um cessar-fogo vigente desde o dia 17 de abril, desrespeitado desde os primeiros dias e com novos e crescentes ataques recentes de lado a lado —no mês passado, a trégua foi renovada por mais 45 dias.

Os comentários do líder americano vieram poucas horas depois que agências de notícias iranianas afiliadas ao Estado disseram que Teerã estava suspendendo as negociações por canais paralelos com os EUA, alertando que poderia “completar o fechamento” do estreito de Hormuz, fazendo os preços do petróleo subirem acentuadamente.

O Irã tomou a decisão em resposta à expansão da campanha de bombardeios de Israel contra o Hizbollah no Líbano e às “violações do cessar-fogo” em todas as frentes, disse a Tasnim, uma agência de notícias afiliada à Guarda Revolucionária do Irã.

EUA e Irã voltaram a trocar ataques nas últimas 24 horas, aumentando a tensão em torno das negociações para encerrar a guerra.

Os militares americanos informaram que atacaram centros de comando no sul do Irã durante o fim de semana. O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, afirmou em comunicado que a ação foi uma retaliação ao abate de um drone americano pelo Irã na região.

Em resposta, a Guarda Revolucionária declarou ter atacado uma base aérea utilizada pelos EUA, sem identificar qual instalação foi atingida. As defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base militar americana, interceptaram uma ofensiva de mísseis e drones enquanto sirenes soavam em todo o país, informou a agência estatal de notícias Kuna, sem fornecer mais detalhes.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também declarou, nesta segunda-feira, que o regime considera as ações de Israel na região inseparáveis das ações dos EUA, reafirmando que qualquer acordo para encerrar o conflito deverá incluir a implementação da trégua no Líbano.

As declarações foram dadas após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenar a retomada dos ataques aos subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah. Milhares de moradores fugiram da capital, congestionando as estradas, numa cena que virou rotina para parte dos libaneses desde o começo do conflito.

No domingo, Trump afirmou ter obtido garantias do Irã de que o país não desenvolverá armas nucleares. A declaração foi contestada pelo principal negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf.

Qalibaf disse à mídia estatal que o Irã não aceitará nenhum acordo para encerrar o conflito sem garantias de que os direitos do povo iraniano serão preservados. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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