Cinco presas da Penitenciária Estevão Pinto, no bairro Horto, na Região Leste de Belo Horizonte, escreveram uma carta para a direção reclamando que Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB), tem tido regalias.
As cinco, que assim como Andrea possuem ensino superior, disseram que após a prisão de Andrea, no dia 18 de maio, foram transferidas para celas de “castigo ou triagem”. As detentas denunciaram ainda que a irmã do senador afastado ocupa sozinha uma cela especial. A defesa de Andrea e a Seap (Secretaria Estadual de Administração Prisional) negam irregularidades.
No pavilhão especial, onde está Andrea, as detentas tinham direito a duas horas por dia de banho de sol no pátio, atividades desportivas e celas em melhor estado. Agora, elas contam que têm direito a uma hora, mas em um lugar sujo e muito pequeno.
Andrea Neves, suspeita de pedir propina aos irmãos Joesley e Wesley batista, donos da JBS, estaria descumprindo regras básicas impostas às demais presas. Ela não teria nem passado pela ala da triagem, segundo as detentas.
A direção também teria dispensado o uso de algemas em Andrea nos procedimentos internos. No domingo (28), ela teria recebido atendimento de um médico particular, o que não seria permitido. As visitas de advogados estariam acontecendo fora dos horários autorizados.
A Seap contestou as afirmações contidas na carta escrita pelas detentas. Em nota, o órgão disse que não procedem as informações sobre o mau estado das celas de triagem, já que foram “recentemente reformadas, também são individuais, têm televisão, são claras e arejadas”.
A Seap também negou que Andrea esteja recebendo tratamento diferenciado das demais presas, mas confirmou que um médico particular esteve na tarde deste domingo atendendo a irmã de Aécio, o que é permitido, segundo a secretaria. O motivo do atendimento não foi informado.
