O presidente da Argentina, Javier Milei, acompanhou na última quinta-feira (30) exercícios militares conjuntos com os Estados Unidos a bordo de um porta-aviões no Atlântico Sul. A visita reforça a aproximação entre os dois países.
Milei esteve no porta-aviões USS Nimitz ao lado do ministro da Defesa, Carlos Presti, e de autoridades militares. Segundo a pasta, a atividade busca fortalecer cooperação, interoperabilidade e trabalho conjunto.
Imagens divulgadas pelo governo mostram o presidente e Karina Milei com o embaixador dos EUA, Peter Lamelas, a bordo da embarcação. O porta-aviões tem 333 metros de comprimento.
“A presença do presidente Milei nos recorda que estamos em uma nova era de relação bilateral, avançando para além da mera cooperação, rumo a um alinhamento estratégico profundo”, disse o embaixador em um comunicado.
Os exercícios estão sendo feitos na zona econômica exclusiva da Argentina durante a passagem do USS Nimitz e do contratorpedeiro USS Gridley pelo Atlântico Sul, conforme decreto presidencial.
As manobras fazem parte do Passing Exercise (Passex) 2026, que aproveita o trânsito de navios estrangeiros pela costa argentina.
O governo Milei também autorizou a entrada de equipamentos e militares dos EUA em território argentino para o exercício “Daga Atlântica”, iniciado em 21 de abril e previsto para terminar em 12 de junho.
Casa Rosada
Em outra frente, os jornalistas credenciados voltarão a entrar na Casa Rosada, sede do governo da Argentina, na segunda-feira, após mais de uma semana de bloqueio devido a uma denúncia de suposta espionagem, confirmou na quinta-feira à AFP uma fonte da Presidência.
A medida revoga uma restrição inédita que, desde 23 de abril, impedia o acesso de cerca de 50 repórteres ao seu local habitual de trabalho, e que havia provocado críticas de associações de imprensa, líderes da oposição e da Igreja Católica. Além da reabertura, o chefe de Gabinete de MIlei, Manuel Adorni, dará uma entrevista coletiva no local na manhã de segunda-feira. Ele está no centro de um escândalo de corrupção, e nega todas as acusações.
O governo de Javier Milei havia justificado a decisão como uma medida “preventiva”, depois que a Casa Militar, responsável pela segurança da sede presidencial, promoveu uma investigação judicial contra dois jornalistas do canal Todo Noticias por terem filmado em setores supostamente restritos e sem autorização. Os jornalistas alegaram que contavam com permissão e que os locais registrados costumam ser visitados inclusive por crianças durante excursões escolares.
O jornal Ámbito Financiero apresentou, em 24 de abril, um recurso de amparo judicial, enquanto o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (Sipreba) preparava ações semelhantes. Na segunda-feira, o monsenhor Jorge Lozano, responsável pela Comunicação Social do Episcopado, aproximou-se da Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, para expressar solidariedade com os jornalistas impedidos de entrar e fez um apelo ao diálogo.
Milei mantém uma relação áspera com a imprensa, a quem desqualifica com insultos como “imundos” e, nas redes sociais, costuma publicar a sigla NOLSALP: “Não odiamos o suficiente os jornalistas”. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, em relatório publicado nesta quinta-feira, “a injúria, a difamação e as ameaças do governo de Javier Milei contra jornalistas e veículos de comunicação críticos tornaram-se constantes desde sua chegada ao poder”. O país aparece na 98º posição (de um total de 180) no ranking global de liberdade de imprensa, uma queda de 11 posições em relação a 2025. As informações são da agência de notícias AFP.
