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Presidente da Câmara aceita fazer acareação, desde que Dilma e Mercadante façam o mesmo

"(...) aproveitem e convoquem todos que estão em contradição", disse Cunha. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira que aceita ficar cara a cara na CPI da Petrobras com o delator da Lava-Jato Julio Camargo. Mas defende que sejam aprovadas acareações de Dilma Rousseff e de ministros do governo.

Para Cunha, Dilma faria acareação com o doleiro Alberto Youssef. E os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Comunicação Social) fariam com o dono da UTC, Ricardo Pessoa. “Vamos aprovar todas e fazemos sem problema”, afirmou.

O peemedebista adotou como estratégia, desde sexta-feira (17), atacar o governo para se defender da acusação do lobista Julio Camargo, segundo quem Cunha foi destinatário de US$ 5 milhões em propina.

Camargo inicialmente não citou Cunha em sua delação. Mas, após ser informado que corria o risco de ter seu acordo de delação anulado por omitir informações, confirmou a versão de Youssef.

Cunha nega as acusações e atribui a uma operação do governo junto à Procuradoria-Geral da República a mudança no depoimento. Ele anunciou na sexta-feira o seu rompimento formal com o Planalto.

O pedido de acareação de Cunha com Julio Camargo foi feito pelo PPS.

“É oportunista de alguns querer falar de uma acareação comigo”, disse Cunha. “Estou disposto a fazê-la a qualquer tempo. Agora também aproveitem e convoquem todos que estão em contradição. O ministro Mercadante e o ministro Edinho negam aquilo que foi colocado pelo Ricardo Pessoa. A própria presidente nega o que foi colocado pelo Yousseff. Que se faça acareação de todos.”

Ricardo Pessoa, em sua delação, disse ter pago caixa dois para a campanha de Mercadante em 2010. Sobre Edinho, disse que o então tesoureiro da campanha de Dilma o pressionou a doar para o comitê da petista para continuar a ter obras no governo.

Youssef afirmou em sua delação que a presidente Dilma sabia da corrupção na Petrobras, origem das investigações da Operação Lava Jato.

A aliados, Cunha usa o mesmo argumento em resposta aos que defendem seu afastamento da presidência da Câmara: o de que seus críticos também deveriam pedir o afastamento de Dilma, de Mercadante e de Edinho.

PT

Em conversas com integrantes da oposição, Cunha tem manifestado ainda a intenção de excluir o PT do comando das duas CPIs antigoverno que devem começar em agosto, quando o Congresso volta do recesso: a do BNDES e a dos Fundos de Pensão. (Folhapress)

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