O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a construção de um projeto eleitoral envolvendo partidos da base do governo do presidente Michel Temer que tenha como discurso as reformas propostas pelo Executivo. “Você não precisa ter um candidato que faça uma tatuagem ‘eu sou Michel Temer’ na testa, você precisa ter um candidato que tenha uma agenda de reformas, porque naturalmente o governo será beneficiado”, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.
Maia disse não ser candidato à Presidência da República e declarou que é “chance zero” a possibilidade de disputar como vice em uma chapa, apesar da especulação de que poderia compor com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD). O parlamentar declarou ainda que, se a reforma da Previdência não for aprovada no dia 19 de fevereiro, data marcada por ele, será “impossível” votá-la ainda em 2018. “Aí é melhor ir para outro tema”, afirmou. Maia citou o nome do prefeito de Salvador, ACM Neto, como presidenciável do DEM e disse que o PSDB não pode impor o nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em uma eventual aliança.
“Hoje tenho um reconhecimento, inclusive da oposição, por não ter sido desleal ao presidente. Tenho o reconhecimento por não ter usado a presidência da Câmara como ela foi usada [pelo então presidente Eduardo Cunha, hoje preso] contra a Dilma. Acho que comecei o ano de um tamanho e terminei com este respeito”, declarou sobre as denúncias contra Temer. Sempre disse que não sairia do processo das denúncias [da Procuradoria-Geral da República contra Temer] com a pecha de oportunista. Sendo o primeiro da linha sucessória, não poderia fazer movimento concreto para empurrar o presidente para fora do Palácio”, prosseguiu.
“Ninguém nunca me viu chamar um deputado para falar ‘vote contra o presidente’. Todo mundo dizia ‘Rodrigo, pisca o olho’. Você está louco. Como está perdendo a oportunidade de ser presidente do Brasil?’. Tenho muita vontade de ser presidente do Brasil. Mas pelo voto. Ou pela naturalidade da decisão do plenário”, completou.
Sobre os planos para 2018, Maia disse: “É que a gente possa ter um projeto de poder com essa agenda de modernização do Estado brasileiro, de reformas. Acho que o DEM pode ser protagonista disso junto com mais um ou dois partidos com quem a gente tem boa relação”. “O meu projeto de poder inclui o PMDB. Uma coisa é o projeto de poder eleitoral. Outra coisa é partidário. Quero construir um projeto onde o DEM possa ser o líder desse novo ciclo da política. Aí sim, daqui a um ano, [formar] um novo partido que possa ter um número relevante de governadores, uma representação importante de 15 a 20 senadores e possa voltar a ter no Congresso um partido com cem deputados”, explicou.
