A Mesa da Câmara dos Deputados, comandada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), devolveu ao Conselho de Ética a representação que pede a cassação do mandato do peemedebista por suspeitas de envolvimento no escândalo do petrolão. O retorno foi feito praticamente no limite do prazo regimental que a Mesa tinha para cumprir a mera burocracia de numerar a representação. O ato levou ao todo 14 dias.
Executados todos os prazos previstos no regimento (90 dias úteis a contar da instalação do processo), uma eventual votação da cassação de Cunha pelo plenário da Câmara só vai acontecer na segunda quinzena de abril do ano que vem. As regras da Casa falam que, recebida a representação no Conselho de Ética, o órgão a despacha para que a Mesa a numere e a devolva em um prazo de até três sessões.
O PSOL e a Rede apresentaram o pedido de cassação no dia 13 deste mês. No dia seguinte, a peça foi encaminhada para a Mesa, que usou o prazo de que dispunha no limite – as três sessões foram completadas na noite de terça-feira. Apesar disso, a Mesa protelou a entrega para os “45 minutos do segundo tempo” do prazo possível – 47 minutos antes da abertura da quarta sessão.
Questionado várias vezes sobre o atraso, Cunha disse que manteve distância da representação, já que ele é o alvo, e que todo o procedimento coube à área técnica da Câmara.
Aplaudido
Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro e suspeito de esconder contas na Suíça, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi recebido no salão verde da Casa, na manhã de quarta-feira, com palmas e gritos de apoio de integrantes de movimentos de rua favoráveis ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
O grupo esteve no local com um pedido para que o PMDB apoie o afastamento da petista da Presidência da República. No momento em que Cunha chegava na Casa, eles liam um manifesto preparado para a liderança peemedebista. Ao passar, o deputado foi ovacionado.
Não houve nenhum tipo de manifestação sobre as acusações contra o presidente da Câmara, diferentemente do que ocorreu na semana passada, quando o parlamentar foi alvo de vaias e gritos de “fora Cunha” ao conceder uma entrevista no Salão Verde.
Apesar das denúncias que pesam contra si, cabe ao parlamentar decidir monocraticamente dar ou não prosseguimento ao processo de impeachment. Conforme informou o jornal Folha de S.Paulo na terça-feira, a área técnica da Câmara está finalizando o parecer em que recomenda ao presidente da Casa dar prosseguimento ao principal processo de impedimento contra a chefe do Executivo. (Folhapress)
