O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem patrimônio estimado 37 vezes maior que os valores oficialmente declarados por ele à Justiça Eleitoral, conforme indicam os documentos que deram origem ao segundo inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) por corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
À Justiça Eleitoral, Cunha declarou no ano passado patrimônio de 1,6 milhão de reais. Mas, na abertura de quatro contas na Suíça em nome dele e da mulher, Cláudia Cruz, de 2007 a 2008, o banco Julius Baer estimou que o patrimônio de Cunha era de 16 milhões de dólares (61,3 milhões de reais). As novas revelações acabaram deteriorando mais a situação política do parlamentar na Câmara. Ele continua negando ser titular das contas.
A estimativa foi feita pelo banco, a partir das relações de bens fornecidas pelo próprio Cunha na abertura das contas secretas. “Seu patrimônio estimado, à época da abertura da conta, era de aproximadamente 16 milhões de dólares”, disse trecho da peça entregue pelo procurador-geral em exercício, Eugênio Aragão, ao STF. O procurador informou que até os bens oficiais declarados pelo deputado tiveram crescimento suspeito. De 2002 a 2014, o patrimônio de Cunha aumentou 214%.
Contas nos EUA
Além das contas secretas na Suíça, Cunha tinha também uma conta não declarada no banco Merril Lynch, nos EUA. “Eduardo Cunha já mantinha conta junto ao banco Merril Lynch há mais de 20 anos, de perfil agressivo e com interesse em crescimento patrimonial. Sua fortuna seria oriunda de aplicações no mercado financeiro local e no mercado imobiliário carioca”, escreveu Aragão. (AG)
