O presidente da Fifa (entidade máxima do futebol), Joseph Blatter, estaria reconsiderando sua decisão de deixar a presidência da confederação e pode permanecer no cargo até o fim do seu mandato, em 2019. O dirigente suíço recebeu mensagens de apoio de associações de futebol asiáticas e africanas pedindo-lhe para repensar sua decisão de renunciar, anunciada há menos de duas semanas, de acordo com o jornal suíço Schweiz am Sonntag. Ainda conforme a publicação, Blatter ficou honrado com o apoio e não descartou a possibilidade de permanecer no comando.
O presidente da Fifa está sob pressão para deixar o cargo desde que autoridades dos Estados Unidos e da Suíça prenderam sete dirigentes acusados de corrupção, fraude, extorsão, lavagem de dinheiro e propinas no valor de 150 milhões de dólares (cerca de 450 milhões de reais) ligados a Copas do Mundo e acordos de marketing e de transmissão de jogos pela televisão, incluindo o ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e vice-presidente afastado José Maria Marin, que continua detido na Suíça.
As prisões aconteceram dois dias antes do Congresso da entidade que elegeria o novo comandante, no mês passado. Na semana que passou, o Parlamento europeu cobrou a saída imediata de Blatter do cargo.
Em comunicado oficial para negar as informações publicadas pelo jornal suíço, a Fifa citou o discurso de Blatter no dia 2 e disse que “não tinha mais comentários a fazer”. Na ocasião, Blatter afirmou que tomou a decisão por querer o melhor para o futebol e para a Fifa e que “por mais que tenha sido reeleito, parece que não tenho o apoio de todos no mundo do futebol”. Em seguida, disse que um novo presidente seria eleito no Congresso extraordinário da entidade.
Já o chefe de auditoria da Fifa, Domenico Scala, descartou qualquer possibilidade de o suíço permanecer à frente da entidade. Para ele, a saída de Blatter é “indispensável” para a reforma da Fifa. “Para mim, as reformas são o tema central. Por isso acho que é claramente indispensável continuar com o processo iniciado de mudança do presidente como tem sido anunciado”, afirmou Scala.
Sucessão
Uma reunião extraordinária do comitê executivo da Fifa foi marcada para o dia 20 de julho, em Zurique, na qual o congresso eletivo deve ser marcado para a sucessão de Blatter. Ele deve ser realizado entre dezembro de 2015 e março de 2016, de acordo com o Comitê de Auditoria, responsável por supervisionar o processo eleitoral.
CBF
A crise na CBF, deflagrada com a prisão de Marin, já derrubou o primeiro diretor da gestão de Marco Polo Del Nero. Menos de dois meses depois da posse do cartola, o jornalista Marcelo Netto deixou o cargo de diretor de Comunicação da entidade. Netto não aparece na sede da confederação há mais uma semana.
Ele se desentendeu com a cúpula da CBF logo após a prisão de Marin na Suíça, em 27 de maio. Como diretor de Comunicação, ele foi contra a estratégia adotada por Del Nero na crise.
De estilo reservado, o jornalista se recusou a comentar sobre a sua saída da entidade. Del Nero já escolheu o substituto de Netto. O novo membro será o jornalista Fernando Mello, atual diretor de Comunicação do Palmeiras.
A CBF atravessa a maior crise de sua história. Ex-comandante da entidade até abril, Marin está preso acusado de receber propina na venda de direitos de transmissão de torneios no Brasil e no exterior. Del
Nero é suspeito de participar do esquema. Ele nega. O atual mandatário da CBF era o principal executivo da gestão de Marin, que se iniciou no ano de 2012, após a renúncia de Ricardo Teixeira. Nos próximos dias, o Senado deverá nomear os integrantes da CPI (comissão parlamentar de inquérito) que investigará a confederação brasileira.
Palocci
Antes de chegar à CBF, Netto foi assessor de Antônio Palocci, ex-ministro da Fazenda do governo Lula (de janeiro de 2003 a março de 2006). Palocci foi exonerado em 2006, após se envolver em um escândalo com o caseiro Francenildo dos Santos Costa, que denunciou ter visto o ministro em reuniões com lobistas em uma mansão em Brasília (DF).
O então ministro foi acusado de ter solicitado a quebra de sigilo bancário de Francenildo ao então presidente da Caixa Econômica Federal, na tentativa de causar desconfianças sobre o depoimento do caseiro. Netto foi acusado de ter vazado as informações à imprensa, de acordo com a Polícia Federal. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, que decidiu pela absolvição da acusação do ex-ministro e do jornalista em 2009. (AG e Folhapress)
