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Brasil Presidente do Banco Central diz que alta do consumo animará economia

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Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central do Brasil. (Foto: Folhapress)

O roteiro da recuperação da economia, após a profunda recessão em que o país afundou há três anos, mudou nos últimos meses, segundo avaliação do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Se há um ano acreditava-se que a atividade recobraria impulso com ajuda de novos investimentos, hoje o mais provável é que o consumo seja o motor da retomada.

“Há um ano, todos imaginavam que a economia brasileira poderia voltar a crescer a partir do aumento de confiança, que geraria investimentos, renda e consumo”, disse o presidente do BC em entrevista concedida na quinta-feira (24). “Essa ordem está um pouco diferente.”

Para Goldfajn, a queda acentuada da inflação, que está mais baixa do que o esperado há um ano, está produzindo um aumento da renda disponível e dando combustível para o consumo, apesar dos níveis de desemprego ainda muito elevados.

Mas os investimentos não voltaram, e a economia parece estar saindo lentamente da recessão. Para Goldfajn, além da inflação mais baixa, fatores como a liberação do dinheiro das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) contribuíram para animar a atividade.

Na sua visão, ela segue na mesma toada mesmo depois do impacto da crise política deflagrada pelas acusações feitas contra Temer pelo empresário Joesley Batista, que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público.

Para o presidente do Banco Central, o desequilíbrio nas contas do governo federal, que aumentou a previsão de deficit no Orçamento deste e dos próximos três anos, não aumenta as incertezas, porque o governo segue empenhado em conter suas despesas e promover reformas como a da Previdência Social.

1. O rombo no Orçamento aumentou e o governo encontra dificuldades no Congresso para aprovar reformas e medidas que gerem receita. Isso preocupa o Banco Central?

Não acho que as incertezas pioraram do fim de maio para cá [após o impacto inicial da delação dos donos da JBS, em meados de maio]. Até melhoraram. Tivemos avanços relevantes com a aprovação da reforma trabalhista, e a nova política de juros do BNDES está avançando.

As reformas geram mais conforto para a política monetária de longo prazo. Uma taxa [de juros] estrutural que permite chegar à meta de inflação de forma sustentável. E quanto menor [a taxa] for, melhor.

2. Mas a situação se agravou. O governo reviu sua projeção para o deficit do Orçamento.
A gente sempre falou que essa questão, o curto prazo, é menos relevante do que a trajetória das contas públicas. Precisamos que as contas públicas estejam em ordem.

3. A dívida pública brasileira equivale a 73% do PIB (Produto Interno Bruto) e destoamos de outros países emergentes.
Temos que trabalhar para ter uma dívida sustentável. Isso exige a reforma da Previdência e ações para conter despesas obrigatórias, a grande causa dos impactos fiscais.

4. A inflação caiu aceleradamente e está abaixo do que era esperado há um ano. O Banco Central não poderia ter começado a reduzir a taxa de juros mais cedo e com mais força?
Temos que nos acostumar com a ideia de que a inflação gira em torno da meta. Tivemos anos de inflação acima da meta. Era difícil imaginar que ela pudesse ficar abaixo. Mas a inflação só começou a cair no último trimestre de 2016.

5. A melhora recente no emprego e no consumo aponta uma virada no ritmo de atividade?
Eu diria que está cada vez mais evidente que o pior ficou para trás, e a economia estabilizou. A dúvida é o ritmo de recuperação.

A inflação caiu mais rápido do que se imaginava. Inflação baixa gera aumento de salário real, que gera consumo, e a economia começa a se recuperar. Essa é uma hipótese. A outra é [a liberação das contas inativas do] FGTS, que pode ter dado um alento.

6. Por que a volta da confiança não trouxe investimentos?
Existem alguns setores, infraestrutura, que poderiam ter aumento de investimento. A confiança não gerou esse aumento de atividade no ano passado. Mas também não reduziu a atividade, mesmo com a incerteza recente [após a delação dos donos da JBS]. Outras forças continuaram puxando a atividade, a inflação em queda e talvez o FGTS.

7. Por que, apesar da redução da taxa básica de juros, as taxas cobradas de empresas e consumidores caem tão devagar?
A tendência é de queda. Com a economia se recuperando e as incertezas diminuindo, o custo de crédito tende a diminuir. Leva um tempo.

8. Ainda é reflexo da renegociação de dívidas e outros problemas herdados da recessão?
Tivemos uma herança de excessos: de gastos, empréstimos, endividamento. Houve muitos excessos nos últimos anos que tiveram que ser equacionados. No caso da pessoa física, como os empréstimos têm duração mais curta, esse processo foi mais rápido, e [o crédito] já está crescendo há meses.No caso das empresas, é mais lento. (Folhapress)

 

tags: economia

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