O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, afirmou que as preocupações sobre os efeitos inflacionários da inteligência artificial (IA) superam as guiadas pelos choques causados pela valorização do petróleo e os efeitos do El Niño.
Galípolo afirmou que os avanços da IA guiam os olhares dos bancos centrais. O presidente do BC afirma que as análises divergentes sobre os efeitos das inovações sobre a inflação preocupam os condutores de política monetária. Os receios envolvem os efeitos da tecnologia na produtividade e a consequente pressão inflacionária. “Existem aqueles que entendem que inicialmente a IA é inflacionária porque pressiona o investimento, que é um componente da demanda”, disse durante participação na Expert XP.
Outras visões também foram consideradas pelo presidente do BC. Galípolo destacou que parte dos analistas vê a alta de preços gerada pela IA como persistente devido à demanda causada pelo aumento da atividade energética para manter as operações. Um terceiro grupo citado por ele considera que a inflação será resultado do aumento da produtividade e da remuneração dos trabalhadores.
Cenário torna preocupação com o El Niño menos relevante para o BC. Para o presidente do BC, os últimos fenômenos climáticos tiveram efeitos distintos para o Brasil, o que afasta uma preocupação antecipada. “Quando a gente olha para uma série histórica, a gente tem casos de El Niño mais forte que impactaram a inflação negativamente e que impactaram positivamente a produtividade. Não é fácil você extrair uma tendência clara”, disse ele.
Ele também vê um cenário positivo do Brasil em relação aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Na avaliação do presidente do BC, o Brasil tem se posicionado positivamente diante da valorização do petróleo devido à sua condição de exportador e do diferencial de juros sobre as outras economias. “Esses fatores têm sido as linhas de defesa para o Brasil”, avalia Galípolo.
Diante das adversidades, Galípolo diz que o BC tem diferentes “planos de voo” no radar. A afirmação considera a cautela para as definições dos juros em meio à necessidade de conduzir a inflação para 3%, centro da meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). “Trabalhamos com trajetórias que contemplam cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e de retomada no ciclo [dos juros]”, disse.
Ele disse que o BC busca coletar os dados de uma maneira “parcimoniosa”. O presidente do BC afirma que a política monetária, principal instrumento para conter o avanço dos preços, precisa se mover “mais como um transatlântico do que um jet ski”. Ele ressalta que os movimentos mais cautelosos ajudam a “enxergar essa tendência de maneira mais clara”. (Com informações do portal UOL)
