Com nomes ligados a si atingidos diretamente na nova fase da Operação Lava-Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), demonstrou irritação, o que preocupa o governo. Até aqui, o peemedebista era um dos principais e últimos aliados poderosos do Planalto na tentativa de impedir a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
Pessoas próximas ao peemedebista dizem que ele ainda calcula qual será o próximo passo, mas relatam que, logo após a ação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (15), Calheiros começou a dar sinais de que pode abandonar a base de sustentação do Palácio do Planalto.
Em conversas privadas, o presidente do Senado sinalizou que haverá recesso parlamentar pelo menos até meados de janeiro. Ele avalia ser preciso “baixar a temperatura” política. O governo defende que é preciso terminar o mais rapidamente possível as discussões sobre o processo de impeachment. Por isso, a tendência pró-recesso de Calheiros foi lida no Planalto como uma advertência.
A operação desta terça-feira também gerou incômodo na cúpula do PMDB, que reúne nesta quarta-feira (16) sua executiva, já que a maior parte dos atingidos pertence à sigla. Na reunião, estará em discussão as filiações que o ex-líder do PMDB na Câmara Leonardo Picciani tem realizado para tentar recuperar a liderança.
A cúpula partidária quer vetar estas filiações para barrar a iniciativa do deputado carioca, que tem o apoio do governo e foi substituído por Leonardo Quintão (MG) com apoio do presidente da legenda, o vice-presidente Michel Temer.
Segundo peemedebistas, caso a estratégia de Picciani dê sinais de sucesso, a executiva pode até discutir uma antecipação da convenção da legenda, marcada para março, para votar um rompimento com o governo. (Folhapress)
