O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou, na terça-feira, não ter havido “dinheiro público” no pagamento da pensão à filha que teve fora do casamento. O STF (Supremo Tribunal Federal) deve decidir em breve se ele vai virar réu por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso no escândalo de 2007, em que é acusado de ter recebido propina da Mendes Júnior para pagar despesas pessoais em troca de emendas parlamentares para a empreiteira.
A investigação remete ao ano de 2007, quando Calheiros teve de renunciar à cadeira de presidente da Casa para salvar seu mandato. Na época, ele enfrentou cinco denúncias no Conselho de Ética do Senado. A mais devastadora foi feita pela jornalista Mônica Veloso, com quem Calheiros tem uma filha. Ela revelou que o lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, entregava a ela pacotes de dinheiro vivo em nome de Calheiros para custear a pensão alimentícia. Em troca, a empreiteira era beneficiada com emendas parlamentares do senador para tocar obras em Alagoas.
Para tentar sustentar que tinha recursos próprios para custear as despesas, Calheiros afirmou que investia em gado e que teria obtido lucro espantoso com as transações rurais. Um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal apontou, entretanto, que os resultados dessas transações eram fictícios. (AE)
