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Presidente do Supremo diz que classificação de facções como terroristas, por ora, é “política internacional”

(Foto: Gustavo Moreno/STF)

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, afirmou nesta terça-feira (2) que a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando Capital) e Comando Vermelho como organizações terroristas está sendo tratada como uma questão de política internacional no momento.

O ministro disse que o Judiciário aguarda comunicações oficiais para se for o caso, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tomar as devidas providências sobre o tema. Entra em vigor na sexta-feira (5) a decisão do governo americano de classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.

Fachin foi questionado sobre possíveis impactos da decisão dos EUA em investigações no país, como o deslocamento de processos da Justiça Estadual para a Justiça Federal. O ministro disse que a Justiça avaliará as medidas necessárias se for comunicada oficialmente sobre a decisão.

“Por ora, o que se tem é esta relação que está no plano internacional com as autoridades da diplomacia brasileira e o Poder Judiciário oficialmente está aguardando, claro, que essas comunicações oficiais se realizem para aí sim, se for o caso, o Conselho Nacional de Justiça tomará as devidas providências. Mas, nesse momento não há nenhuma comunicação oficial que tenha chegado ao Conselho Nacional de Justiça”, afirmou a jornalistas.

Segundo o presidente do STF, o tema agora é “uma questão de política internacional que diz respeito ao Estado brasileiro e obviamente a outros segmentos e setores da vida nacional”.

O ministro ressaltou que o Judiciário tem tratado de medidas efetivas para o combate às organizações, sendo que o CNJ está atuando para “organizar a magistratura nesse sentido”. Fachin lembrou que o CNJ lançou em março o painel Nacional do Crime Organizado que reúne dados processuais sobre organizações criminosas e milícias.

O levantamento indica que existem mais de 13 mil ações penais em andamento contra integrantes de organização criminosa. A ação penal começa quando o juiz aceita denúncia do Ministério Público e transforma um investigado em réu.

O presidente do STF destacou a criação da rede nacional de juízes e juízas que julgam essas ações que envolvem, obviamente, organizações criminosas, para tratar de aperfeiçoar os mecanismos de segurança aos magistrados. O grupo deve ser instituído em agosto.

Outro foco do CNJ, segundo Fachin, tem sido quebrar vínculo entre a população interna do cárcere e essa organização criminosa que opera fora do cárcere.

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