Com a decisão de ajudar a Ucrânia a obter caças F-16, o presidente americano, Joe Biden, desafiou Vladimir Putin, que vinha ameaçando transformar a guerra em um conflito direto contra os EUA. Apesar dos alertas apocalípticos, Washington expandiu o arsenal ucraniano com mísseis Javelin e Stinger, lançadores de foguetes Himars, sistemas avançados de defesa com drones, helicópteros e tanques M1 Abrams.
Um motivo crucial para desconsiderar as ameaças de Putin, segundo autoridades americanas, é o fato de o presidente russo nunca ter cumprido suas ameaças. O blefe deu a americanos e europeus confiança de que poderiam continuar fornecendo armas sem consequências graves – até que ponto a ajuda será tolerada ainda é incerto.
“A Rússia entrou em descrédito ao dizer que certas coisas seriam inaceitáveis e depois não fazer nada quando elas ocorriam”, afirmou Maxim Samorukov, especialista do Fundo Carnegie para a Paz Internacional. “O problema é que não sabemos qual é o limite real, que está dentro da cabeça de um indivíduo, e pode mudar de um dia para outro.”
Autoridades americanas afirmam que administrar o risco continua um dos aspectos mais difíceis da guerra. Quando decidem quais novas armas fornecer para a Ucrânia, colocam foco em quatro fatores. “Eles precisam disso? Sabem usar? Têm isso já? E qual será a resposta dos russos?”, disse um alto funcionário do Departamento de Estado. Como outras fontes do governo, ele falou sob condição de anonimato.
A autoridade afirmou que a relutância da Rússia em retaliar influenciou o cálculo de risco do secretário de Estado americano, Antony Blinken. O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, percebeu a mesma coisa.
No início da invasão russa, em fevereiro do ano passado, Putin alertou que qualquer país que tentasse “impedir” suas forças deveria se preparar para consequências nunca vistas na história”. Conforme a guerra se arrastou, os alertas ficaram mais bombásticos, com ameaças de holocausto nuclear caso a Rússia sofresse reveses.
Uma explicação para a relutância de Putin em atacar o Ocidente é o grau de desgaste das Forças Armadas russas, de acordo com autoridades americanas. “Não é do interesse deles entrar em confronto direto com a Otan”, disse.
Dentro do governo Biden, o Pentágono é considerado mais cauteloso do que a Casa Branca ou o Departamento de Estado, mas os militares americanos negam que o medo de uma escalada influencie nos cálculos. Inquestionavelmente, a disposição de Biden de desafiar os limites de Putin impulsionou a capacidade da Ucrânia de se defender. Resta ver se Putin continuará a permitir que o Ocidente desafie suas ameaças sem consequências.
Rússia enfraquecida
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, declarou nesta sexta-feira (2) que a guerra na Ucrânia enfraqueceu a Rússia e que os EUA continuam comprometidos em defender Kiev. Em cerimônia para celebrar a adesão da Finlândia à Otan, na capital Helsinque, Blinken também se posicionou contra um cessar-fogo de curto prazo do conflito, que, na visão dele, podem favorecer Moscou.
No discurso, o chefe da diplomacia americana listou uma série de argumentos para justificar por que enxerga a Rússia mais fraca do que antes da guerra. Ele citou a própria adesão da Finlândia à Otan, que marcou o abandono do país da posição de neutralidade que adotava há décadas e contrariou o plano inicial do presidente Vladimir Putin, de frear a expansão da Otan para não chegar a sua fronteira. “Foi um fracasso estratégico (de Putin)”, declarou.
“A Rússia está significativamente pior hoje do que antes da invasão (à Ucrânia), em termos militares, econômicos e geopolíticos”, acrescentou. “Onde Putin pretendia projetar força, ele revelou fraqueza.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
