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Presidente francês denuncia “fake news” sobre sua mulher ser trans

O presidente francês, Emmanuel Macron, e Brigitte Macron, de 70 anos. (Foto: Reprodução)

O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou as “fake news” que circulam nas redes sociais sobre sua esposa, Brigitte, às quais a apresentam como uma mulher transgênero. “O pior são as fake news e as histórias inventadas, com pessoas que acabam acreditando e que te afetam, até mesmo na sua intimidade”, comentou Macron, de 46 anos, que respondia as perguntas dos jornalistas após a cerimônia de inclusão do aborto na Constituição francesa.

Desde sua eleição em 2017, teorias da conspiração nas redes sociais afirmam que sua esposa é uma mulher transgênero, cujo nome de nascimento seria Jean-Michel Trogneux. As teorias garantem a existência de um grande complô que buscaria esconder a mudança de sexo no registro civil, e até acusam Brigitte Macron, de 70 anos, de pedofilia.

“Contra esse machismo, é preciso usar o direito, a justiça”, acrescentou o presidente, pedindo o reforço da “ordem pública digital” nas redes sociais “sem regras”.

Questionar o sexo biológico de esposas de líderes políticos é uma tática de desinformação usada nas redes sociais para minar lideranças políticas.

A ex-primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, a dos Estados Unidos, Michelle Obama, e atual esposa do presidente espanhol Pedro Sánchez, Begoña Gómez, também foram alvos do mesmo boato.

Direito ao aborto

Em outra frente, no Dia Internacional da Mulher, nessa sexta-feira (8), o governo da França inscreveu oficialmente o direito ao aborto na sua Constituição. A inclusão, que foi aprovada pelo Parlamento do país no início desta semana, tornou a França o primeiro país do mundo a tornar a interrupção voluntária da gravidez um direito previsto na Constituição.

Com a inclusão, o direito ao aborto passou a ser irreversível no país, segundo o presidente francês, Emmanuel Macron.

A inserção foi feita manualmente com uma impressora do século XIX para selar a alteração na Constituição. Foi a primeira vez que a máquina, de 300 kg, saiu da sala onde fica. A lei foi inserida dentro do Artigo 34 da Constituição francesa.

O artigo passou a ter a seguinte inscrição: “a lei determina as condições em que uma mulher tem a liberdade garantida de recorrer ao aborto”.

Com a inclusão, a lei entra em vigor oficialmente a partir desta sexta-feira.

Na cerimônia, ao ar livre em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que pretende lutar para que o direito se expanda pela União Europeia — a interrupção da gravidez é legalizada na maioria dos países do bloco, mas até diferentes períodos de gestação e, em nenhum caso, está prevista na Constituição.

Na França, as mulheres têm o direito ao aborto garantido por lei desde 1975, permitindo que as mulheres abortem até a 14ª semana de gestação. Apesar da decisão ter sido duramente criticada na época, o assunto tem ampla aprovação do espectro político francês e pela sociedade – pesquisas recentes indicam o apoio de cerca de 80% da população ao direito ao aborto.

Com esse direito previsto na Constituição, será muito mais difícil impedir que mulheres interrompam voluntariamente uma gravidez na França.

“Aumentamos o nível de proteção a esse direito fundamental”, disse Anne-Cécile Mailfert, diretora da da Fundação das Mulheres da França. “É uma garantia para as mulheres hoje e no futuro terem o direito de abortar na França”, concluiu. As informações são da agência de notícias AFP e do portal de notícias G1.

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