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Presidente nacional do PT diz que “todos os envolvidos no escândalo do Banco Master terão que se explicar”

“É inadmissível, contudo, que um chefe de Estado estrangeiro venha ao nosso país e se dirija em termos desrespeitosos aos seus poderes constituídos", disse Edinho Silva. (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse ao Valor que a operação da Polícia Federal (PF) que arrastou o líder do governo e quadro histórico do PT, senador Jaques Wagner (BA), para o escândalo do Banco Master não atingirá a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. Segundo o dirigente, que é coordenador-geral da campanha, Lula sempre cobrou a investigação das denúncias contra o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Acrescentou que o Master é “criação” do governo de Jair Bolsonaro.
Sobre o afastamento de Wagner da liderança, argumentou que a prioridade é a defesa do aliado, e que deixar, ou não, o cargo será uma decisão dele, que terá o seu apoio.

Na área econômica, Edinho relativizou declarações recentes do coordenador do programa de governo, José Sérgio Gabrielli, que provocaram ruído com o mercado e com o setor produtivo. “Só tem um condutor da política econômica, se chama presidente Lula. E o seu porta-voz na economia, que é o ministro Dario Durigan”, afirmou.

Lembrando que o próprio Lula tem defendido a expansão dos gastos públicos, mesmo com a trajetória de alta da dívida, o dirigente ponderou que o presidente fala em meio a uma conjuntura de crise econômica mundial. Argumenta que o déficit é “controlado”, e que isso não significa acomodação, porque o governo vai buscar a responsabilidade fiscal e a eficiência dos gastos.

A seguir os principais pontos da entrevista:

1) Qual o impacto na campanha de Lula da ação da PF contra Jaques Wagner? Colocou o presidente no mesmo patamar que Flávio Bolsonaro?

Não acredito nisso. Primeiro, o presidente é quem mais tem defendido a apuração das denúncias envolvendo o Banco Master. Ele sempre disse que elas são graves e colocam em risco a credibilidade do sistema financeiro.

2) Mas Wagner é um quadro nacional do PT, amigo de Lula há décadas. As denúncias não afetam a campanha presidencial?

Claro que o Jaques Wagner é uma liderança importante para o PT, é um dirigente histórico. Eu defendo que ele tenha todas as garantias do contraditório para se defender e mostrar sua inocência. Mas o presidente Lula tem defendido a apuração das denúncias, e isso serve para todo mundo.

Inclusive para quem participou da construção do Banco Master, que foi quem participou do governo (Jair) Bolsonaro, porque o Master é uma criação deles.

3) Associar o Master ao governo anterior é estratégia para afirmar que o escândalo tem mais vínculos com a família Bolsonaro? As denúncias contra Wagner arrastaram o PT para a crise.

Essa relação é inquestionável. Todas as operações foram aprovadas pelo Banco Central durante o governo Bolsonaro. Mas todos, Independentemente de partido, que se relacionaram com as operações fraudulentas, terão que se explicar. Agora, nós do PT confiamos que Wagner provará sua inocência. Outra coisa é que Lula tem dado uma demonstração de respeito institucional inquestionável.

4) Em que sentido?

A Polícia Federal tem toda a autonomia para trabalhar no governo Lula, plena autonomia para investigar. Isso é algo que mesmo aqueles que não querem reconhecer os feitos deste governo, terão que reconhecer. O respeito do presidente às instituições, à PF, ao Ministério Público, ao Judiciário.

5) Nesse contexto, há quem afirme que a operação contra Wagner contribuiu para melhorar a relação de Lula com o Centrão. Aliados achavam que a PF de Lula os perseguia.

Não sei se melhorou a relação com o Centrão, até porque Lula tem defendido essa apuração desde o começo. E foi assim em relação às denúncias sobre as emendas parlamentares, nas denúncias envolvendo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

6) Wagner deve se afastar da liderança do governo no Senado para se defender e preservar Lula?

O mais importante agora é darmos apoio ao Jaques para ele mostrar que as acusações contra ele não têm fundamento. Ele é um líder histórico do PT, e que faz parte da trajetória do presidente Lula. Então isso é uma escolha dele. Ele terá o nosso apoio para decidir seus movimentos futuros, inclusive o que fará em relação ao Senado.

7) Estamos a menos de quatro meses da eleição, e faltam palanques de Lula a serem fechados, inclusive em Minas, segundo maior colégio eleitoral. Isso preocupa?

A campanha do presidente está extremamente organizada e estruturada no Brasil inteiro, e isso se deve à forma republicana com que ele lidou com governadores e prefeitos, o que facilitou nossa tática eleitoral. Estamos em junho, bem antes das convenções [que começam no fim de julho], e com palanques fechados em 25 Estados. (Com informações do Valor Econômico)

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