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Preso em Curitiba há mais de um mês, Lula enviou uma carta aos prefeitos do País. Na mensagem, ele defendeu o seu governo e criticou o Poder Judiciário

Mensagem escrita pelo ex-presidente na cadeia foi publicada na internet. (Foto: Bando de Dados/O Sul)

Preso em uma cela especial da Superintendência da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR) desde o dia 7 de abril, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou – por razões óbvias – de um evento com os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, promovido nessa terça-feira em Niterói (RJ) pela FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Uma carta assinada por ele, no entanto, foi publicada no site da entidade (www.fnp.org.br).

No texto encaminhado à 73ª Reunião Geral da FNP, o líder petista – líder nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República – defendeu o seu governo, criticou o Poder Judiciário e destacou temas como Saúde, Educação, Segurança e o combate à corrupção (um dos crimes que o levaram à condenação a 12 anos e um mês de cadeia, no âmbito da Operação Lava-Jato).

“Nenhum outro governo adotou mais mecanismos pela transparência e combate à corrupção do que os governos do PT [2003-2016]. Reforçamos a Polícia Federal, afastamos mais de 5 mil servidores com conduta indevida e demos autonomia ao Ministério Público. Também proporcionamos efetividade à Controladoria-Geral da República para investigar e atuar”, ressaltou a mensagem.

“Hoje é necessário que o combate à corrupção não seja desviado para perseguição política nem subordinado a lógica de parte da imprensa. As investigações não podem ser irresponsáveis, nem trocar o devido processo legal por shows de mídia para tentar destruir a reputação das pessoas e impedir adversários políticos de disputar eleições”, prosseguiu.

Outro trecho da carta fala que “a Justiça precisa de provas antes de emitir sentenças e não pode querer que magistrados, que tem importante função pública, substituam os representantes eleitos, sob risco de criar uma insegurança jurídica que assusta os administradores públicos e que afasta as boas pessoas da política e os investimentos do Brasil”.

No texto também é citado o fim da CPMF em 2007 (último ano do primeiro mandato de Lula no Planalto) e a tentativa frustrada do retorno dela em 2015, já no governo de Michel Temer: “Se em 2015 a cobrança desse imposto tivesse sido aprovada, em vez de pautas-bomba, a crise econômica e fiscal não teria se agravado tanto”.

A mensagem termina com uma defesa do regime democrático e do debate de ideias: “O País precisa de democracia, de debate de ideias, de respeito as diferenças e da participação de todas as forças democráticas no debate. Só ouvindo e respeitando a vontade popular que o Brasil irá reencontrar o seu caminho”.

Durante o evento em Niterói, onze pré-candidatos à Presidência da República apresentaram aos prefeitos as suas propostas. Nas pautas, melhorias da gestão da saúde, da educação, da segurança pública e a geração de empregos. Participaram Rodrigo Maia (DEM), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Afif Domingos (PSD), Manuela D’Ávila (PCdoB), Marina Silva (Rede), Ávaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Aldo Rebelo (Solidariedade), Guilherme Boulos (PSOL), Paulo Rabelo (PSC) e Henrique Meirelles (MDB).

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