Ícone do site Jornal O Sul

Preso que se formou dentro da cadeia e passou no Enem conta que ficava o tempo todo lendo livros

Jefferson Cunha Pereira foi condenado a 20 anos de cadeia por homicídio. (Crédito: Reprodução)

“Ler é uma fuga. Quando a gente está lendo, se desliga do ambiente onde está: o cárcere. A mente navega para fora daqui”, afirma Jefferson Cunha Pereira, 37 anos, que completa oito anos na prisão em abril.

Ex-policial militar, ele foi condenado a 20 anos de cadeia por homicídio. Aproveitou o tempo ocioso na cela para estudar, e o resultado foi animador. Foi um dos primeiros classificados do Rio, no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), concorrendo com outros estudantes da rede pública. Ganhou uma vaga para cursar Administração de Empresas na Universidade Federal Fluminense e Direito na Faculdade Anhanguera, em Niterói, pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificada).

Quando chegou a penitenciária Lemos de Brito, em 2012, Pereira passou a dedicar-se aos estudos. “Para fugir da ociosidade, adquirir conhecimento e relembrar o que já havia aprendido e esquecido.” Ele cursou o Ensino Médio na Escola Estadual Mário Quintana, que funciona na penitenciária. “Três horas na sala de aula, de segunda a sexta. Depois, voltava para a cela e estudava por conta própria”, conta Pereira, que também tomou gosto pela leitura. “Leio um pouco de tudo, desde livro didático a romances.”

Cabe agora à Vara de Execuções Penais decidir se ele cursará ou não.

Sair da versão mobile