Uma dor de cabeça forte, acima dos olhos, foi o que levou a técnica em sistemas elétricos Patrícia Aparecida de Lima, de 50 anos, a descobrir glaucoma. Na época, ela tinha 38. Após o uso de analgésicos, sem sucesso, resolveu procurar um oftalmologista.
A PIO (pressão intraocular) elevada é uma condição clínica silenciosa e o principal fator de risco para o glaucoma, doença do nervo óptico progressiva que causa cegueira irreversível.
O oftalmologista Mikael Chun, especialista em glaucoma do H. Olhos, em São Paulo, afirma que quando a pressão intraocular alcança patamares muito altos o paciente pode ter sintomas. “Dor de cabeça, vermelhidão nos olhos, visão embaçada podem ocorrer nos picos de pressão. Mas geralmente, a pessoa não sente nada”, explica.
Patrícia recebeu o diagnóstico de glaucoma em ambos os olhos e iniciou o tratamento de imediato. Em 2018, por recomendação médica, operou o lado direito. Uma infecção bacteriana a levou à lavagem cirúrgica de emergência.
“Voltei para casa após três semanas. Resolvi fazer um teste cobrindo os olhos: tampei um, depois o outro. Quando cobri o olho esquerdo, percebi que não enxergava do direito. Liguei desesperada para o médico. Ele me orientou a ir imediatamente para o hospital. Eu via uma mancha, como uma bola branca, bem no meio da íris. Era uma catarata que se desenvolveu rapidamente. Por isso, precisei passar por uma nova cirurgia e coloquei uma lente intraocular no olho direito”, conta Patrícia.
Com o uso da lente, a paciente atingiu 70% de capacidade visual no olho direito. Já em setembro de 2026, ela passou por uma cirurgia no esquerdo, pelo qual atualmente enxerga cerca de 20%. A pressão intraocular baixou, mas não chegou ao nível ideal — hoje está na casa dos 30 mmHg.
Chun recomenda a visita ao oftalmologista pelo menos uma vez ao ano para pessoas com diabetes, com casos de doença oftalmológica na família e para os que têm 40 anos ou mais.
A partir dessa idade, a pressão intraocular deve ser acompanhada anualmente ou a cada dois anos. Para quem tem diabetes, miopia alta, trauma ocular prévio, faz uso prolongado de corticoides ou tem histórico familiar de glaucoma, as consultas também devem ser anuais ou a cada seis meses, de acordo com a indicação do oftalmologista.
Para quem já tem diagnóstico de hipertensão ocular ou glaucoma, o intervalo das consultas é definido pelo médico e as visitas podem ocorrer a cada três meses.
Saúde ocular
O aumento da pressão dentro do olho funciona como uma força que comprime as estruturas internas da visão. O nervo óptico, que leva os estímulos visuais até o cérebro, sofre um esmagamento. Essa compressão crônica asfixia e destrói progressivamente as células que compõem o tecido nervoso.
À medida que as células morrem, o canal de comunicação com o cérebro é interrompido, o que elimina a capacidade de transmissão de dados visuais e resulta na perda total da visão.
Ao contrário da pressão arterial, que mede a circulação do sangue, a intraocular diz respeito ao ambiente interno dos olhos.
“Imagine o globo ocular como uma pequena bola de pingue-pongue. Só que, em vez de ar, ela é preenchida por uma substância gelatinosa (o humor vítreo) e por um líquido constante (o humor aquoso). Esse líquido possui um sistema natural de escoamento, como se fosse o ralo de uma pia. O glaucoma acontece quando esse ralo entope: o líquido acumula, a pressão interna sobe e o nervo óptico passa a ser esmagado”, explica Mikael Chu.
“Como esse nervo é a linha de transmissão que leva as imagens ao cérebro, o seu desgaste provoca uma perda de visão lenta e silenciosa, que começa pelas bordas (visão periférica) e avança para o centro, muitas vezes sendo confundida pelo paciente com a necessidade de usar óculos. Quando o paciente chega ao oftalmologista, o glaucoma já está em estágio avançado”, diz o médico.
Como o glaucoma não tem cura e os danos ao nervo óptico são irreversíveis, o foco do tratamento é reduzir a pressão intraocular para estabilizar a doença.
São três os caminhos principais: o uso de colírios (o método mais acessível), aplicações de laser (uma abordagem mais moderna) ou cirurgia. Embora o tratamento não seja necessariamente o mesmo para sempre — já que um paciente operado ou tratado com laser pode suspender o colírio —, o acompanhamento médico é contínuo. (Com informações da Folha de S.Paulo)
