A economia brasileira manteve o ritmo de aceleração em julho, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (14) pelo BC (Banco Central). O chamado IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do BC), considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), teve alta de 0,41% no mês na comparação com junho.
O resultado foi calculado após ajuste sazonal (uma espécie de compensação para comparar períodos diferentes). O resultado oficial do PIB é divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com informações da autoridade monetária, julho foi o segundo mês seguido de expansão do indicador de atividade econômica. O IBC-Br registrou crescimento em cinco dos sete primeiros meses deste ano. Houve alta em janeiro (0,52%), fevereiro (1,44%) e abril (0,19%), junho (0,55%) e julho (0,41%), mas recuo em março (-0,41%) e maio deste ano, quando caiu 0,28%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no País e serve para medir a evolução da economia. Em 2016, o PIB teve uma retração de 3,6%, mas registrou alta nos três primeiros meses deste ano (1%) e também no segundo trimestre (0,2%).
O governo estima atualmente que a economia brasileira vai registrar crescimento de 0,5% em 2017, mas já avalia a possibilidade de elevar essa previsão diante dos últimos resultados da economia. Para o mercado financeiro, a expectativa é de uma alta da ordem de 0,6% para a economia neste ano.
De acordo com o BC, contra julho de 2016, o IBC-Br registrou alta de 1,41%. Neste caso, a comparação foi feita sem ajuste sazonal, pois considera períodos iguais. Com ajuste sazonal, o crescimento do nível de atividade foi de 1,48%.
Os números do BC mostram ainda que, nos sete primeiros meses deste ano, o indicador do nível de atividade registrou uma alta de 0,14%, também sem o ajuste sazonal. Com o ajuste, o aumento foi de 0,31%. No acumulado em 12 meses até julho, porém, a prévia do PIB (indicador dessazonalizado) do Banco Central registrou queda de 1,37% (sem ajuste, a queda é de 1,44%).
IBC-Br x PIB
Embora o cálculo seja um pouco diferente, o IBC-Br foi criado para tentar ser um “antecedente” do PIB. O índice do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos. Os resultados do IBC-Br, porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do PIB, divulgados pelo IBGE.
Definição dos juros
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do País. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária. Atualmente, a taxa Selic está em 8,25% ao ano e a estimativa do mercado é de que recue para 7% ao ano no fim de 2017.
Pelo sistema que vigora no Brasil, o BC precisa ajustar os juros para atingir as metas preestabelecidas de inflação. Quanto maiores as taxas, menos pessoas e empresas ficam dispostas a consumir, o que tende a fazer com que os preços baixem ou fiquem estáveis.
Para 2017 e 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desse modo, o IPCA, considerado a inflação oficial do País e medida pelo IBGE, pode ficar entre 3% e 6%, sem que a meta seja formalmente descumprida. (AG)
