Os especialistas consultados na pesquisa Focus do BC (Banco Central) mantiveram a expectativa de que o Copom (Comitê de Política Monetária) corte a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual na reunião desta semana e não fará mais nenhum movimento ao longo deste ano.
Com isso, a expectativa é que a Selic, atualmente em 7%, encerre 2018 a 6,75%. Para 2019, a conta foi mantida em 8%.
O Copom anunciará sua decisão sobre a Selic nesta quarta-feira (7). Pesquisa da Reuters junto a economistas mostra que o BC deve cortar os juros pela última vez nesta semana e mantê-los em mínimas históricas até pelo menos o início de 2019.
O Top-5, que reúne aqueles que mais acertam as previsões, também vê corte de 0,25 ponto neste encontro, mas continua esperando mais uma redução na mesma proporção em março, com a Selic terminando 2018 a 6,5%.
Para o ano que vem, esse grupo também manteve a projeção de que a taxa básica ficará em 8%.
O Focus mostrou apenas ajustes marginais nas projeções de crescimento e inflação. As contas para o Produto Interno Bruto mostram que a expectativa é de um crescimento este ano de 2,7% 0,04 ponto percentual a mais do que no levantamento anterior, indo a 3% em 2019.
Inflação
Apesar da expectativa do mercado financeiro de nova redução dos juros, o ex-diretor do BC Carlos Eduardo Freitas diz que o ideal seria a autoridade monetária manter os juros básicos em 7% ao ano e esperar a próxima reunião, no fim de março, para decidir se baixará os juros. Segundo ele, a taxa real – diferença entre a Selic e a inflação – está baixa, e uma nova redução traria o risco de a inflação ter uma leve alta.
“Minha impressão é que o Banco Central não tem espaço para cortar mais 0,25 ponto percentual da Selic. Isso pressionaria a demanda, que pode ficar em excesso num momento de recuperação econômica e resultar na elevação de preços lá na frente. Eu preferiria esperar até março para ver se a economia vai se firmar para decidir se é possível uma nova redução”, diz Freitas.
A expectativa do mercado financeiro é que a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), termine este ano em 3,95%, abaixo do centro da meta de, 4,5%. Para o ex-diretor do Banco Central, também não existem motivos para o BC aumentar os juros, mesmo com as seguidas altas nos preços dos combustíveis. “Os combustíveis têm peso fraco no IPCA. O índice de inflação é uma média e é importante lembrar que os demais preços estão sob controle. Não vai existir uma supersafra este ano, mas isso não significa que os preços dos alimentos vão subir”, acrescenta.
Apesar de recentes oscilações do dólar, Freitas diz que não existe uma pressão do câmbio sobre os preços no momento. Ele ressalta que o quadro pode mudar dependendo da economia internacional e das tensões eleitorais no Brasil, mas hoje considera remota a possibilidade de alta na Selic nos próximos meses. “Nem existe uma pressão cambial. O dólar está comportado. Na verdade, os fatores externos estão neutros este ano, o que não justificaria um aumento de juros neste e nos próximos meses”, acrescenta.
Referência
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.
Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, a tendência do Copom é baratear o crédito e incentivar a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.
