Nascida na área mais pobre de Chicago e formada na Universidade Harvard e de Princeton, Michelle Obama, 51 anos, passou seus primeiros anos como primeira-dama ocupada em campanhas inofensivas contra obesidade infantil e ajudando famílias de veteranos de guerra. Porém, assim como seu marido presidente, Barack Obama, que tem deixado a cautela de lado em final de mandato e enfrentado temas polêmicos que vão de Cuba e Irã à deportação de imigrantes, Michelle tem expressado mais o que pensa.
No último mês, em repetidos discursos, ela tem falado de racismo, defendido o polêmico plano de saúde universal de seu marido e criticado a indústria alimentícia, que tenta sabotar seu projeto de merendas escolares mais saudáveis. Em um movimento raro em relação a uma primeira-dama dos EUA aprovada por quase 70% dos norte-americanos, 20 pontos a mais que seu marido, ela tem sido criticada pelas novas posições públicas. Já foi chamada de “ressentida”, “vitimista” e “obcecada com racismo, apesar de morar na Casa Branca”.
Mídia
Sua presença midiática aumentou muito, e não só na TV. Aceitou ser editora-convidada da revista More, dirigida a mulheres de sucesso acima dos 40. Chamou a escritora Chimamanda Adichie para escrever sobre feminismo e indicou na seção de turismo a escola do Kansas que foi pivô pelo fim da segregação racial escolar.
Por muito tempo, ela preferiu a cautela. Em um discurso para formandos na Universidade Tuskegee, no Alabama, Michelle revelou que teve medo de “prejudicar” a campanha do marido por suas posições. “Pela primeira vez na minha vida adulta, estou orgulhosa do meu país, sentindo que a esperança está de volta”, afirmou, em plena campanha presidencial de 2008, ao dizer que um negro poderia chegar à Casa Branca. Ela se referia ao hiato entre a campanha e o fim da segregação nos anos 60 – mas a ideia de que ela sentia vergonha dos EUA pegou. (Raul Juste Lores/Folhapress)
