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Prisão de Collor por ordem de Alexandre de Moraes reforça temor de aliados de Bolsonaro

Advogados de investigados da trama golpista já fazem um cálculo do tamanho da pena que deve ser imposta ao ex-presidente da República. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A decisão de Alexandre de Moraes que determinou na última quinta-feira (24) a prisão imediata do ex-presidente e ex-senador Fernando Collor, reforçou o temor de aliados de Jair Bolsonaro de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) vai tentar dar um rápido desfecho às investigações da trama golpista – e não vai tolerar recursos considerados “meramente protelatórios”.

Moraes mandou prender Collor após o plenário do Supremo tê-lo condenado em maio de 2023 a oito anos e 10 meses de prisão, em regime inicialmente fechado, por envolvimento em um esquema de corrupção na BR Distribuidora no âmbito da Operação Lava-Jato.

O ponto crucial é que, após o plenário do Supremo negar os primeiros embargos de declaração de Collor, em novembro do ano passado, Moraes decidiu rejeitar agora os segundos recursos em uma decisão monocrática, determinando o cumprimento imediato da prisão.

“O caráter procrastinatório do recurso pode e deve ser reconhecido monocraticamente pelo ministro relator, o qual tem competência também para determinar a certificação do trânsito em julgado e o imediato cumprimento da pena”, escreveu Moraes.

No entorno de Bolsonaro, que considera os tais recursos cruciais para a estratégia de defesa, há o temor de que até outubro venha a condenação que deve ser imposta pela Primeira Turma do STF ao ex-presidente por envolvimento numa trama golpista para impedir a posse de Lula.

Isso abriria espaço, nos cálculos de fontes que acompanham de perto o caso, para a Primeira Turma julgar os primeiros embargos de declaração até dezembro, antes do recesso de fim de ano. Se isso ocorrer e Moraes adotar o mesmo critério usado agora para Collor, poderá recusar os segundos recursos e mandar prender Bolsonaro logo depois.

Advogados de investigados da trama golpista já fazem reservadamente um cálculo do tamanho da pena que deve ser imposta pela Primeira Turma ao ex-presidente da República.

Na avaliação de quatro defensores de outros investigados ouvidos reservadamente pela equipe da coluna, se for condenado, Bolsonaro deve receber uma pena de 25 a 35 anos.

Condenação de Collor

Para o STF, Collor, com a ajuda dos empresários Luis Pereira Duarte de Amorim e Pedro Paulo Bergamaschi de Leoni Ramos, recebeu R$ 20 milhões para viabilizar irregularmente contratos da BR Distribuidora com a UTC Engenharia voltados para a construção de bases de distribuição de combustíveis. A vantagem foi dada em troca de apoio político para indicação e manutenção de diretores da estatal.

Em novembro do ano passado, o plenário do Supremo já havia negado recurso de Collor contra a condenação – um pedido de destaque do ministro André Mendonça tirou o caso do plenário virtual e o levou para o físico, o que adiou o desfecho do caso. (Com informações do jornal O Globo)

 

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