Quatro dias depois de tomar posse, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, sofreu sua primeira baixa na equipe. O procurador Sidney Pessoa Madruga deixou a coordenação de um grupo que cuida da área eleitoral da PGR (Procuradoria-Geral da República) depois de o jornal Folha de S.Paulo revelar o teor de uma conversa dele sobre a delação da empresa JBS em um restaurante em Brasília.
A interlocutora era a advogada Fernanda Tórtima, que atua para a empresa. Ela foi personagem da crise que levou às prisões e ao cancelamento do acordo de colaboração de Joesley Batista e Ricardo Saud, executivos do grupo.
Madruga havia sido nomeado na terça-feira por Dodge para o cargo de coordenador do Genafe (Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral), que estabelece as diretrizes e metas de atuação eleitoral do Ministério Público Federal. Seu nome entrou na lista de divulgação da PGR da equipe de confiança da procuradora-geral. Na edição de sexta-feira, a Folha de S.Paulo publicou o que Madruga dissera a uma mulher em um almoço no dia anterior, no Lago Sul, região nobre da capital federal. A reportagem estava à mesa ao lado e ouviu a conversa.
Na manhã de sexta-feira o jornal identificou que a interlocutora era Tórtima. Após ser questionada sobre a conversa dela com o procurador, a assessoria da PGR anunciou a exoneração dele. A advogada é citada na investigação que apura a atuação do ex-procurador Marcello Miller no acordo de delação da empresa com a PGR na gestão de Rodrigo Janot, antecessor e adversário de Raquel Dodge.
