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Procurador da República que falou de “tendência” em investigar a equipe do ex-procurador-geral é exonerado do cargo

Antes de assumir o cargo de procuradora-geral da República, Raquel Dodge solicitou a suspensão do benefício. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, exonerou o procurador regional da República Sidney Pessoa Madruga do cargo de coordenador do Genafe (Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral). A exoneração, segundo a assessoria da procuradora-geral, foi feita a pedido de Madruga.

O procurador foi flagrado pela reportagem do jornal Folha de S. Paulo em conversa em restaurante no qual fala que a “tendência” no órgão é investigar o procurador Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete do ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

De acordo com a assessoria da PGR (Procuradoria-Geral da República), o pedido de exoneração da equipe foi apresentado “com a finalidade de evitar ilações impróprias e indevidas”.

“A PGR reitera informação repassada ao jornal de que o procurador mencionado não atua em matéria criminal e não teve acesso a nenhuma investigação ou ação penal conduzidas pela atual equipe do Grupo de Trabalho da Lava-Jato, em Brasília. A portaria de exoneração foi assinada na tarde de hoje”, informou a assessoria da Procuradoria-Geral da República.

O procurador regional da República Eduardo Pelella encaminhou ofício endereçado a Raquel Dodge no dia de hoje no qual se coloca “a exemplo do ocorreu durante todo o período de transição, à disposição para qualquer esclarecimento que entenda necessário”.

Investigação

Um integrante da equipe da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou que a “tendência” do órgão é investigar Eduardo Pelella, ex-chefe de gabinete de Rodrigo Janot. Dodge tomou posse na última segunda-feira (18) em substituição a Janot. Ambos são adversários dentro da Procuradoria.

Conversa

Procurador da República, Pelella é mencionado em diálogos de delatores da JBS como um interlocutor da PGR. Ele teve reunião com um deles, o advogado Francisco Assis e Silva, dias antes do encontro, em 7 de março, entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer no Palácio do Jaburu. Janot e seu ex-assessor negam qualquer irregularidade.

“Não é para punir, é pra esclarecer”, disse Madruga. O procurador afirmou que é preciso entender “qual é o papel do Pelella nessa história toda, porque está todo mundo perguntando”.

A conversa entre Madruga e sua interlocutora começou por volta das 13h30min e se estendeu até 15h. Foram servidos uma entrada, prato principal, água e uma garrafa de vinho tinto.

Na conversa, Madruga questionou o papel de Pelella, que na função de chefe de gabinete, teria trabalhado intensamente nas investigações e acordos da Lava-Jato. A frase foi dita no momento em que os dois presentes à mesa abordavam a atuação do ex-procurador Marcelo Miller no caso da JBS.

Exonerado em abril, Miller é investigado por ter atuado para a empresa antes de se desligar do Ministério Público. A suspeita levou ao cancelamento do acordo de Joesley Batista e de Ricardo Saud, também delator do grupo, e à prisão de ambos.

Em relação a Miller, Madruga disse que a Procuradoria terá que investigar se “os 50” teriam chegado a ele, referindo-se a valores que o ex-procurador teria recebido.

Depois de meia hora de conversa, Madruga falou sobre a campanha de Janot contra a nomeação de Dodge. Afirmou que o ex-procurador “pegou pesado” na imprensa e que teria enviado um interlocutor duas vezes para falar com Temer sobre outro nome que estaria fora da lista tríplice de indicados pela categoria ao cargo.

Disse ainda que chegaram à equipe informações de que Janot iria ingressar em um escritório de advocacia.

Madruga abordou a situação do ex-ministro Geddel Vieira Lima, preso em Brasília. “Em Salvador dizem que ele não se elegeu [ao governo do Estado] em 2010 porque bati muito nele lá”, afirmou, referindo-se ao período em que atuou como procurador eleitoral da Bahia (2009 a 2013). Segundo ele, o político “tem pavor de ser preso”.

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