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Procuradores japoneses devem apresentar novo processo criminal contra o executivo brasileiro que comandava a Renault e a Nissan

Carlos Ghosn é investigado por omitir valores de sua remuneração. (Foto: Divulgação/Nissan)

Procuradores do Japão devem apresentar um novo processo penal contra o presidente deposto do conselho de administração da Nissan, Carlos Ghosn, por não declarar 3 bilhões de ienes (R$ 102 milhões) de remuneração durante três anos a partir do ano fiscal de 2015, disse o jornal local Asahi nesta sexta-feira (23).

Ghosn e o ex-diretor da Nissan Greg Kelly estão sendo investigados por supostamente conspirarem para omitir metade da remuneração de Ghosn de cerca de 10 bilhões de ienes que recebeu da Nissan durante cinco anos, a partir do ano fiscal de 2010.

No total, Ghosn subdeclarou sua remuneração na Nissan em cerca de 8 bilhões de ienes nos últimos oito anos, até o ano fiscal que acabou em março, disse o jornal, sem citar fontes.

A publicação não mencionou se um novo caso também visaria Kelly.

Ghosn e Kelly foram presos e removidos de seus cargos nesta semana devido a alegações de fraude financeira. Um novo caso tornaria Ghosn sujeito a um novo mandado de prisão, disse o jornal.

Como Ghosn e Kelly ainda estão detidos, nenhum dos dois pôde se defender publicamente das alegações.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com eles. Motonari Otsuru, ex-procurador que segundo a mídia local foi contratado para defender Ghosn, não estava disponível de imediato para comentar.

A Procuradoria de Tóquio não pôde ser contactada nesta sexta-feira, que é feriado no Japão. A Nissan se recusou a comentar.

Quem é Carlos Ghosn

Carlos Ghosn, nascido no Brasil, destacou-se por muito tempo entre os executivos do setor automotivo do mundo como um workaholic capaz de fazer uma empresa à beira da falência voltar a andar sozinha rapidamente.

Como presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi Motors, Ghosn, de 64 anos, criou um império industrial, com 470 mil funcionários, que no ano passado venderam 10,6 milhões de veículos de 122 fábricas no mundo todo.

Apelidado de “Cost Killer” na França, Ghosn começou sua carreira com o fabricante de pneus Michelin e, após uma etapa inicial no Brasil, rapidamente ascendeu e ganhou reputação por suas operações na América do Norte.

Foi contratado pela Renault em 1996 para trabalhar com o então diretor-geral Louis Schweitzer, onde ajudou a devolver rentabilidade à empresa.

Apenas três anos mais tarde, foi enviado para dirigir o recém-adquirido grupo Nissan, com o desafio de fazer a mesma coisa em um prazo de dois anos. Conseguiu em apenas um.

Seu trabalho fez com que fosse reconhecido como um herói no Japão, onde existem até mesmo mangás dedicados ao executivo, conhecido por acordar antes do sol nascer e dormir apenas seis horas por noite.

Atravessar fronteiras nunca foi um problema para Ghosn. Fala português, espanhol, italiano, francês e inglês fluentemente e tem bom conhecimento de japonês.

Nasceu no Brasil em 9 de março de 1954, filho de libaneses. Aos seis anos, foi morar com sua mãe no Beirute, onde estudou em uma escola jesuíta.

Mais tarde, Ghosn se mudou para Paris, onde se formou em duas das universidades mais elitistas da França, inclusive a Escola de Engenharia Politécnica. Ghosn tem passaporte francês.

Após devolver à Renault e à Nissan uma sólida base financeira, fez pressão para desenvolver carros elétricos, os primeiros da indústria.

Apesar do ritmo frenético de trabalho, ele sempre preservou sua vida pessoal com a mulher e seus quatro filhos.

“Não levo trabalho para casa. Brinco com meus quatro filhos e fico com minha família nos fins de semana”, disse certa vez à revista Fortune. “Quando vou trabalhar na segunda-feira (…) chego com boas ideias por estar recarregado”, explicou.

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