Professores e ativistas ambientais estão há 12 dias em greve de fome para impedir a instalação de uma empresa poluente na região sudeste de Chicago, nos Estados Unidos. A zona é de baixa renda e habitada por latinos e negros.
A manifestação ocorre em protesto contra uma usina de reciclagem de metal. A indústria deve ser inaugurada meses depois de ter fechado sua unidade em uma área rica e onde vive, sobretudo, a população branca. A mudança de local levantou um debate sobre racismo ambiental em Chicago.
A Reserve Management Group (RMG) está prestes a obter uma licença definitiva por parte da Agência de Proteção Ambiental, de acordo com o jornal The Guardian. Desde que a informação tornou-se pública, moradores da comunidade realizaram protestos com cartazes, faixas e eventos virtuais para confrontar as autoridades locais.
“Passei muito tempo contando aos meus alunos, dizendo a todos que você precisa se envolver com o processo democrático. Mas o sistema não está configurado para levar em consideração as preocupações das pessoas comuns”, disse o professor Chuck Stark, que leciona ciências na George Washington High School. Ele aderiu à greve de fome.
“Se (o triturador) não era bom o suficiente para (o rico e predominantemente branco) Lincoln Park, por que é bom o suficiente para o lado sudeste?”, questionou Breanna Bertacchi, de acordo com o jornal Chicago Tribune. Ela também está em greve de fome.
Em um comunicado enviado ao The Guardian, o porta-voz do RMG, Randall Samborn, afirmou que “os dados demográficos raciais, étnicos e de renda do bairro” não têm qualquer influencia na escolha do local onde a empresa vai funcionar.
Samborn acrescentou que o triturador de metais tem capacidade de criar cerca de cem empregos “predominantemente para minorias ganharem salários de chefe de família”.
