Começa nesta terça-feira (3) a vacinação contra a dengue para profissionais dos serviços de atenção primária que atuam em Porto Alegre no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O fármaco – fabricado pelo Instituto Butantan-SP – é de aplicação única e destinada a indivíduos de até 59 anos. Já os agentes de combate a endemias serão contemplados a partir da próxima sexta (6).
Cada unidade é responsável pela imunização de suas respectivas equipes, de forma escalonada por ordem descrescente de idade (começando pelos mais velhos). Estão aptos ao procedimento na rede de saúde da prefeitura os seguintes segmentos:
– Profissionais da área da saúde: médicos, enfermeiros. auxiliares e técnicos de enfermagem, odontólogos e profissionais de equipes multiprofissionais (e-multi), como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
– Profissionais administrativos e de atividades de meio ou de apoio que trabalham em unidades de saúde, como recepcionistas, seguranças, vigilantes, equipes que atuam na limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulâncias.
Conforme a prefeitura, a capital gaúcha já recebeu 1.894 doses do fármaco. Toda população porto-alegrese na faixa de 15 a 59 anos terá acesso à vacina, também de modo gradual, à medida que chegarem mais doses e após o encerramento da imunização dos integrantes das unidades de saúde. As informações serão atualizadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no portal prefeitura.poa.br, bem como nas redes sociais.
Eficácia
Aprovado em dezembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o fármaco é totalmente produzido no Brasil e o primeiro, no mundo, com esquema vacinal de apenas uma aplicação.
Estudos comprovaram a segurança e efetividade do produto. A eficácia geral é 74,7%, índice que sobe para 91,6% na proteção contra manifestações graves da dengue.
Avanço
A estratégia nacional de vacinação contra a dengue foi lançada em maio de 2024. Desde então, o Rio Grande do Sul recebeu aproximadamente 262 mil doses do imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório japonês Takeda Pharma e com esquema de duas aplicações, mediante intervalo de três meses entre cada etapa.
Além de o público-alvo estar então resumido à faixa de 10 a 14 anos, em um primeiro momento a campanha foi direcionada apenas a Porto Alegre e outros cinco municípios da Região Metropolitana, selecionados com base no número de casos ao longo dos últimos dez anos.
Com o aumento da oferta de vacinas no País, o número de municípios foi ampliado gradualmente até chegar a todo o Estado no início de fevereiro, contemplando cerca de 630 mil crianças e adolescentes.
Situação
Em 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou o pior cenário da doença causada pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti: 209 mil casos confirmados e 281 mortes. Os registros caíram no ano passado para 44.029 casos e 52 óbitos, ao passo que 2026 acumula ao menos 179 testes positivos desde janeiro, mas sem perdas humanas.
As mortes de gaúchos pela dengue têm como principais vítimas os idosos (60 anos ou mais), no entanto ainda não há vacina disponível para esse grupo etário, conforme mencionado no início do texto. Enquanto isso não ocorre, a eliminação de criadouros do inseto transmissor continua sendo a principal forma de combate à dengue, bem como à febre chikungunya e ao zika vírus, também associados ao mosquito.
(Marcello Campos)
